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3 de mar. de 2014

Empresários aprovam atrativos turísticos de Monte Alegre

“Este com certeza é um destino que podemos considerar top, que realmente possui um potencial muito grande de atrair aquele viajante que não quer ir para um local já consolidado na rota turística”. A análise é do empresário Gelderson dos Anjos, um dos convidados para participar do famtour (tour de familiarização) realizado de 17 a 21 de fevereiro no município de Monte Alegre, região Oeste do Pará. A iniciativa de levar dos empresários é parte do projeto “Almeirim Sustentável: um novo paradigma de município verde”, do Instituto Floresta Tropical (IFT) em parceria com Instituto Peabiru e patrocínio do Fundo Vale.

Um dos locais mais completos de Ecoturismo da Amazônia, o município possui atrativos desconhecidos até mesmo para quem mora no Pará. E foi para mostrar as belezas naturais e culturais do município e comunidades do entorno do Parque Ambiental de Monte Alegre (PEMA), que a comitiva composta por empresários, formadores de opinião e representantes de órgãos governamentais visitou o local. “Nossa ação colabora para transformar o local em um importante destino turístico. Certamente quem for a Santarém e Alter do Chão também deveria vir a Monte Alegre”, explica o coordenador do projeto Almeirim Sustentável no Instituto Peabiru, Richardson Frazão.

E atrativos não faltam. São pontos que deslumbram o turista com a riqueza histórica embutida nas artes rupestres pré-colombiana com mais de 10 mil anos pintadas em paredões de rocha localizados no topo das serras que compõem a paisagem do PEMA. Vistas únicas para um distante horizonte que proporcionam uma vista exclusiva do Rio Amazonas, cachoeiras e um grande conjunto de formações geológicas, que juntamente com a imersão do turista no dia a dia das comunidades próximas, com a oportunidade de conhecer a cultura e culinária local, fazem de Monte Alegre um destino com grandes chances de entrar na rota das empresas de turismo exótico e de aventura.

BENEFÍCIOS PARA COMUNIDADES - No entanto, é no benefício para as comunidades que vivem no entorno do Parque que mora o principal objetivo da realização do famtour e do fortalecimento da região como um destino turístico. A geração de renda complementar a partir do ecoturismo, o fortalecimento da organização social local e a chance de aproveitar todos os ganhos que o turismo pode proporcionar, é o motivo que está por trás da iniciativa.

“No ano passado as comunidades participaram de oficinas e cursos de formação para a construção roteiros e outros negócios voltados para o turismo. A ideia é proporcionar uma geração de renda complementar. No final, queremos que as ações fortaleçam as capacidades humanas locais e a melhoria da organização social”, lembra Richardson.

Um das ações foi a capacitação de “Agentes de Ecoturismo de Monte Alegre”, realizada pelo Instituto Peabiru, com patrocínio da Tam Linhas Aéreas S/A, no segundo semestre de 2013.  “Eu tava muito ansioso para que chegasse o momento desse famtour. Nós participamos de oficinas e quem nos deu esse ensinamento quer ver o que aprendemos. Acredito que tudo deu certo, apesar de termos pontos a melhorar, claro”, comenta Magno Roberto, 28 anos, condutor de atrativos naturais da comunidade do Ererê.

“Vejo que a principal transformação aqui na comunidade foi a valorização da cultura local, o que tava meio esquecido. Então a gente tá nesse processo de resgatar a nossa história, pra ter como socializar com as pessoas que vem praticar o turismo na região. Isso principalmente entre os jovens”, relata Magno.

Para Patrícia Messias, Gerente da APA Pay-Tuna e do PEMA, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), a consolidação da região como polo turístico passa justamente pelo fortalecimento das comunidades. “O potencial turístico da região existe, não é algo novo. O que é novo é esse trabalho com as comunidades, essa união entre os órgãos públicos, o terceiro setor e o setor privado para tornar Monte Alegre um destino na rota do turismo nacional e mundial. E a expectativa é isso se fortaleça. Daí a importância d as comunidades se prepararem para que não se sintam fora do processo. E isso é algo que já estamos fazendo há algum tempo em parceria com o Peabiru e outras instituições”, explica Patrícia.

Sobre o Instituto Peabiru – Com a missão de valorizar a diversidade cultural e ambiental e apoiar processo de transformação social na Amazônia, o Instituto Peabiru é uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) que busca facilitar o desenvolvimento social através de ações participativas junto aos públicos de interesse.

Desta forma, há 15 anos o Instituto Peabiru atua na Amazônia Oriental, em especial o Pará e o Amapá, e trabalha como facilitador para que comunidades e organizações da sociedade civil local alcancem maior capacidade de agir, reclamar os seus direitos e exercitar sua completa cidadania.

Com sede na capital paraense, Belém, e escritórios em Ponta de Pedras, no Marajó, o Instituto Peabiru realiza projetos e iniciativas com o desafio de construir relações duradouras que proporcionem um caminho de desenvolvimento local, responsabilidade socioambiental corporativa e cadeias de valor inclusivas junto ao público de interesse da OSCIP. São públicos de interesse as populações rurais, especialmente os povos e comunidades tradicionais, quilombolas e indígenas, bem como organizações da sociedade civil e empresas atuantes no território.
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25 de fev. de 2014

Tapajós inverte fluxo de exportação de grãos

 Por Bettina Barros | Valor Econômico

A principal estrada que liga Mato Grosso ao Pará está um lamaçal de ponta a ponta da pista e, em alguns trechos, os buracos parecem ser capazes de engolir o pneu de um caminhão. Chove quase continuamente, como é comum nesta época do ano, quando o "inverno" chega à Amazônia. Inverno por aqui não é frio. É chuva. E se estende até julho, o que, para o azar dos produtores rurais, coincide com o período de escoamento da safra de soja do Centro-Oeste, a mais importante do país.

Por esse e outros motivos, a maior parte dos grãos plantados na região não pode ser transportada pela BR-163, que liga Cuiabá a Santarém, e atravessa o país até os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR) para embarque ao exterior, num percurso mais longo, caro e congestionado. Mas algo diferente acontece neste "inverno". Um número grande de caminhões de Mato Grosso começou a subir a rodovia federal em direção ao Pará - a despeito do risco de derrapagens e atoleiros e do dobro do tempo de viagem que a quilometragem rodada exigiria. Eles carregam soja da americana Bunge.

Em uma decisão inédita, a gigante do agronegócio optou por inverter a partir desta safra a lógica clássica de fluxo para o Sudeste como principal canal de exportação. A justificativa para isso, afirma Pedro Parente, CEO da Bunge no Brasil, é outro marco para a companhia: a inauguração de uma estação fluvial de transbordo de cargas e um terminal portuário na Amazônia, baseados em um ambicioso projeto de escoamento denominado "Terfron" - Terminais Portuários Fronteira Norte.

Com investimento próprio total de R$ 700 milhões - o maior em seis anos no portfólio de agronegócio e logística no Brasil -, a Bunge dará mais fôlego ao que o mercado chama de "matriz amazônica" de transporte. Na prática, isso significa a criação de um dos mais importantes corredores logísticos intermodais do país, formado pela BR-163 e pela hidrovia Tapajós-Amazonas. A alternativa é defendida há muitos anos pelos ruralistas, que veem na rota ganhos de frete, tempo e eficiência de transporte ante as opções atuais.

A múlti americana será a primeira, mas está longe de ser a única na corrida para o Norte. Nos próximos anos, o setor privado ligado ao agronegócio deverá investir cerca de R$ 2,3 bilhões somente em instalações de terminais, comboios de barcaças e empurradores para o transporte no rio Tapajós. Em comum, todos estão de olho no potencial de escoamento fluvial anual de 40 milhões de toneladas de grãos do Centro-Oeste até 2020, com redução de até 34% no custo do frete, segundo o Movimento Pró-Logística de Mato Grosso, formado por dez entidades, entre elas Aprosoja e Acrimat - que representam produtores de grãos e pecuaristas, respectivamente.

"A saída pelo Norte poderá representar 20% em participação de mercado da nossa comercialização de grãos no país", afirmou Parente. "Nossa expectativa é escoar 2,5 milhões de toneladas de grãos nesta safra e atingir o potencial anual de 4 milhões de toneladas em 2014/15". Segundo a empresa, esse volume deverá superar 30% quando a BR-163 estiver totalmente pavimentada e o terminal atingir a sua capacidade de projeto.

O mosaico logístico que se desenha com o novo modal prevê a instalação de quase uma dezena de terminais fluviais em Miritituba - distrito do município paraense de Itaituba estrategicamente localizado à beira de um trecho do Tapajós com calado suficiente para a navegação de barcaças e, melhor ainda, sem pedras no caminho. Sete empresas já adquiriram lotes de terra para a instalação de seus terminais (ver infográfico).

De todas, só a Bunge obteve licença de instalação e levantou o seu terminal. Os terrenos ao lado, todos vendidos, estão intactos, em fase de estudo de impacto ambiental ou à espera do sinal verde do governo para a construção. Mas, apesar de tudo pronto, a Bunge também não pode iniciar o escoamento porque não recebeu a licença de operação da Secretaria de Meio Ambiente do Pará, que deverá ser emitida até meados de março. Enquanto isso, a companhia realiza testes pré-operacionais de carregamento e descarregamento, com a soja que já está sendo transportada pela BR-163. As últimas barcaças chegaram há duas semanas.

Ao longo de uma semana, o Valor percorreu grande parte da rota que vai perfazer a matriz amazônica. No mapa, todo grão plantado acima do paralelo 13 - a linha de corte é Lucas do Rio Verde (MT) - seria, em tese, economicamente viável para o escoamento pelo Norte devido à distância menor em relação ao Sudeste. Nesse raciocínio, os caminhões vão pela BR-163, cruzam a fronteira com o Pará e continuam até Campo Verde - o "Km 30". De lá, seguem à esquerda para Miritituba, onde é realizado o transbordo da carga para as barcaças que descerão o Tapajós até os portos de Santarém e Vila do Conde, em Barcarena (ou, em menor escala, de Santana, no Amapá). Dos portos, são transferidos a navios Panamax para Europa e Ásia.

Em Miritituba, a efervescência dos negócios é quase palpável. Além da Bunge, Cargill, Hidrovias do Brasil (empresa da P2 Brasil, joint venture da Pátria Investimentos e Promon), Cianport (joint venture de Fiagril e Agrosoja), Unirios, Chibatão Navegações e Reicon estão posicionadas em áreas de algumas dezenas de hectares. Mas há muita gente sondando parcerias de serviços ou áreas ainda disponíveis, conforme o Valor testemunhou - da americana ADM à francesa Louis Dreyfus Commodities (LCD), passando pela Multigrain, controlada pela japonesa Mitsui.

Disputa por terrenos para a construção de terminais entre grandes empresas do setor é cada vez mais acirrada

O esgotamento iminente de terrenos, no entanto, já está puxando os investidores rio abaixo. A 15 quilômetros de Miritituba está Santarenzinho, distrito de Rurópolis, outro potencial para a atracação de barcaças. Transportes Bertolini, Amaggi e Cevital, grupo argelino de agronegócio, adquiriram recentemente terrenos aqui. A Odebrecht Transport finaliza negociações na região, no formato de uma joint venture com a Brick Logística, empresa de projetos portuários de Belém.

As expectativas são altas. No trecho mais estreito, o corredor navegável do Tapajós tem dois quilômetros de distância. No mais largo, dez. Diferentemente de estradas, portanto, não há riscos de congestionamentos. Caudaloso, o Tapajós é também um rio "encaixado" (com as margens mais altas) e considerado de fácil navegação. "Trata-se de uma inversão de sentido: em vez de parceria público-privada, é privada-pública. O escoamento pelo Norte só está acontecendo por causa da iniciativa privada", diz Renato Pavan, diretor da Macrologística, consultoria que trabalha com o planejamento estratégico da Amazônia Legal.

Segundo Clythio Van Buggenhout, diretor nacional de portos da Cargill, o que se vê agora é resultado de um posicionamento das empresas iniciado no começo da década passada. "A aposta do setor foi em cima da perspectiva que havia em investimentos em infraestrutura pública. Todo mundo sabia que, de alguma maneira, seria preciso ter portos no Norte e que eles teriam valor", disse ao Valor.

O pioneiro no transporte fluvial de grandes volumes na Amazônia, lembra o executivo, foi a Amaggi, que mirou Porto Velho e decidiu pelo escoamento pelo rio Madeira. Depois vieram a Cargill, com o arrendamento em 1997 de um terminal público no porto de Santarém, e a Bunge, que comprou o terreno em Barcarena. Ambas aguardavam o asfaltamento completo da BR-163, que não ocorreu.

O atraso fez a Bunge congelar os planos para o Pará - seu projeto Terfron, além de Miritituba, inclui o terminal em Barcarena e a Unitapajós, joint venture com a Amaggi para o transporte fluvial das cargas. A Cargill optou por escoar a safra do oeste de Mato Grosso pelo terminal da Amaggi no rio Madeira - 2,5 milhões de toneladas de grãos chegam a Santarém hoje.

Agora, a abertura da navegação pelo Tapajós reacendeu os planos da saída pelo Norte. Além de Miritituba, o setor está de olho nas licitações para novos terminais portuários de grãos que o governo federal pretende fazer no Pará para dar vazão ao volume descarregado pelas barcaças - um em Santarém (onde só a Cargill opera hoje), outro em Vila do Conde (onde a Bunge já tem terminal e a ADM e a Hidrovias do Brasil contam com terrenos) e três em Outeiro. Cada terminal elevaria em 5 milhões de toneladas a capacidade de escoamento de grãos pelo Estado.

A expectativa da Companhia Docas do Pará (CDP) é que as licitações, cujos editais estão em análise no Tribunal de Contas da União, ocorram este semestre. Socorro Pirâmides, diretora de gestão da CDP, diz que também poderá haver uma licitação para um terminal de fertilizantes em Santarém.

Van Buggenhout, da Cargill, diz que pretende participar da licitação em Vila do Conde e dobrar a capacidade operacional em Santarém até o fim de 2015, para 5,5 milhões de toneladas/ano. A empresa aportou US$ 90 milhões na ampliação do terminal e US$ 70 milhões estão previstos para Miritituba.

Assim como a Bunge, a Cargill começou a subir soja pela BR-163 este ano, após experiências "bem-sucedidas" com o milho em 2012 e 2013, em períodos secos. "Em função da sobrecarga logística e fatores climáticos internacionais, começou a ficar viável subir a BR-163", diz Van Buggenhout. "Bem ou mal há um fluxo regular subindo a estrada. Para o caminhoneiro, é melhor que ficar 60 horas na fila de transbordo ferroviário".

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http://www.valor.com.br/agro/3442344/tapajos-inverte-fluxo-de-exportacao-de-graos#ixzz2uLYe0ANo
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14 de fev. de 2014

O que Jatene tem contra o oeste do Pará?

O governador Simão Jatene deve ter alguma questão pessoal contra a região Oeste do Pará. Pelo menos é o que parece. E não é de hoje. O governador faz de tudo para inviabilizar a região economicamente. Além de não fazer os investimentos necessários na infraestrutura regional, cria embaraços à economia, dificulta a atração de investimentos e cria um ambiente de hostilidade para investidores.

Quem não se lembra quando, no apagar das luzes do seu primeiro mandato como governador, Jatene criou um mosaico de reservas ambientais na região da Calha Norte? Não por coincidência, as reservas embargaram o que seria a maior mina de bauxita do mundo e que receberia investimentos bilionários da Rio Tinto, inclusive com uma planta de fabricação de alumina.

Dizem por ai que Jatene fez isso a pedido da Vale. Verdade ou não, após o deixar o governo Jatene teria recebido uma consultoria da Vale. O fato é que ele sepultou um projeto que iria gerar emprego, renda e desenvolvimento para uma região abandonada pelo Estado. E o que deu em troca para a população daquela região? Nada! Absolutamente nada!

Santarém também é uma cidade maltratada por Jatene. Basta vez que há menos de dois anos o governador liberou para Altamira, então governada por uma prefeita amiga, do PSDB, mais de R$ 30 milhões para obras de pavimentação. É certo que o dinheiro foi para o ralo. Ou para bolso de alguns. Mas e Santarém? Nada recebeu, apesar de ter uma infraestrutura urbana precária e carente de investimentos. Anunciou um monte de investimentos, mas a maioria não saiu do papel e o que saiu avança lentamente ou quase parando.

E agora, mais recentemente, Jatene vem demonstrando mais uma vez o seu ódio à região. A sua secretaria de Meio Ambiente vem atrasando, deliberadamente, o licenciamento dos portos em Miritituba – Itaituba, onde uma verdadeira revolução logística está acontecendo, mesmo a contra gosto do governador.

As empresas que estão se instalando em Miritituba estão tendo muitas dificuldades para licenciar seus empreendimentos, apesar de cumprirem todas as exigências da Sema. O atraso na liberação das licenças está causando prejuízos milionários para as empresas, e a demora na implantação dos portos está gerando problemas sociais na região, pois as empresas só vão investir em ações condicionantes quando tiverem certeza de que terão o licenciamento.

A situação é tão grave que o governo federal foi  procurado por lideranças de produtores de grãos do Mato Grosso, que pediram  diretamente à presidente Dilma para que articule junto com o governo do Pará uma forme de acelerar as licenças. Foi sugerido até mesmo que o IBAMA passe a licenciar, dado o total desinteresse do governo paraense pelo assunto. Jatene, por exemplo, nunca foi a Itaituba ver enloco a revolução que acontece no seu estado.

Diante de tal absurdo, a imagem que fica é de que realmente o governador tem um problema pessoal com nossa região, que segue abandonada, sem atenção do governo do Estado. Hoje, a presença do governo federal é muito mais efetiva, apesar da colossal distância de Brasília. Mas Jatene vem ai. Em outubro, ele virá à região para mais blá, blá, blá e promessas vazias. Vaia nele: Uhuuuuuuuu!!!!!!!!!!!
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12 de fev. de 2014

Dilma diz que concessão da BR-163 até Miritituba sai ainda este ano

A presidente Dilma Rousseff disse hoje (12) que o governo vai concluir a pavimentação da Rodovia BR-163 (Santarém-Cuiabá) até o ano que vem e que ainda este ano fará a concessão do trecho entre Sinop (MT) e Mirirituba (PA). Ela disse que o governo está fazendo grandes investimentos em infraestrutura para reduzir o Custo Brasil. Entre eles, está a rodovia BR-163, o principal caminho para escoar a produção do estado.

Segundo Dilma, até o fim deste ano serão entregues cerca de 350 quilômetros de pavimentação da BR-163 e, até o meio de 2015, o restante que falta, de aproximadamente 120 quilômetros. “Quando nós lançamos o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], queríamos pavimentá-la toda, e faltavam 845 quilômetros. Agora está faltando um trecho pequeno e nós temos certeza de que vamos concluí-lo”.

A presidenta falou das concessões que levarão à ampliação e duplicação de estradas na região, com pedágios reduzidos. Ela informou que o governo pretende fazer, ainda este ano, a concessão do trecho da BR-163 que liga Sinop (MT) a ao Porto de Miritituba, no oeste do Pará.

Dilma acrescentou que, pelos novos modelos de contrato, o tempo de entrega das obras é até cinco ano, enquanto os anteriores davam até 15 anos. O pedágio só pode ser cobrado depois de 10% da obra concluída. “Nós trabalhamos para reduzir o Custo Brasil, que é também infraestrutura de qualidade, e garantir que essa infraestrutura custe o mínimo possível”.
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11 de fev. de 2014

Empresa planeja construir ferrovia de Sinop a Miritituba

A Estação da Luz Participações (EDLP) protocolou nesta semana no governo federal um pedido para desenvolver estudos de viabilidade de uma ferrovia entre Lucas do Rio Verde (MT) e Miritituba (PA), usando o trecho de domínio da rodovia BR-163. A estimativa de investimento no empreendimento é de R$ 6 bilhões.

A intenção é aproveitar a demanda logística oriunda da produção de grãos, com destaque para a soja, no Centro-Oeste, por um caminho de exportação em direção ao Norte do país. O projeto segue caminho inverso ao existente hoje, para o Sul, em direção aos portos de Santos (SP) e de Paranaguá (PR).

A capacidade da Ferrogrão - nome atribuído à ferrovia -, que tem extensão estimada em 1,2 mil quilômetros desde São Lucas do Rio Verde seria da ordem de 60 milhões de toneladas de grãos ao ano. De Miritituba, as cargas seriam levadas em barcaças para terminais aptos a receberem navios em Santarém, Itacoatiara e Barcarena (PA) e Santana (AP).

O traçado da linha teria início justamente ontem termina a "Ferrovia da Soja", ou Fico, que ligaria a Norte-Sul a até Lucas do Rio Verde. Esse projeto, já lançado pelo governo, encontra-se na fase de estudos para ir à licitação.

A EDLP solicita que o Ministério dos Transportes faça um chamamento para elaboração de estudos para a concessão, o que, segundo a empresa, proporcionaria a concessão da ferrovia ainda ao longo deste ano.

Segundo a EDLP, do empresário Guilherme Quintella, já há um fundo de investimentos interessado em participar do projeto e outros seriam buscados, inclusive grandes grupos empreiteiros.

O empresário informa que, com a Ferrogrão, a Fico e a ALL (que chega até Rondonópolis-MT), quase 100% da produção de grãos do Mato Grosso (em torno de 50 milhões de toneladas) seria escoada por meio de malha ferroviária até 2020. A redução de custo do frete de transporte seria da ordem de 50% em relação ao modal rodoviário.

Quintella, que também preside na América Latina a União Internacional de Ferrovia (UIC, na sigla em francês), afirma que o projeto é apontado como um dos mais importantes do mundo pela sua localização na região.

Em avaliação preliminar dos envolvidos, no entanto, o projeto "concorre" com a rodovia BR-163, a partir da divisão de Mato Grosso com o Pará. No momento, o governo federal já está colocando em prática a lógica da inversão da cadeia logística da produção do Centro-Oeste por meio de concessões de trechos da principal rodovia da região. Dois lotes da BR-163, que vão do Mato Grosso do Sul e sobem até o Mato Grosso, já passaram por leilão e forram arrematados pelos grupos CCR e Odebrecht, respectivamente.

Neste ano, conforme anúncio há alguns dias, o governo federal pretende conceder também o trecho da BR-163 entre Mato Grosso e Pará. Assim, as commodities agrícolas poderiam ser levadas até terminais de transbordo para as hidrovias do Norte em rodovias duplicadas depois de cinco anos sob gestão privada. Esse é o prazo determinado nos contratos.

A concessão do trecho até o Pará, já anunciada, ainda está em etapa inicial, sem edital lançado.

(Fonte: Valor Econômico)


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22 de jan. de 2014

Belo Monte: Norte Energia entrega casas com defeito para despejados

No site Amazônia.org

Rachaduras, lajes descoladas e com infiltração e estruturas escoradas com madeira para evitar desmoronamentos: este é o estado das casas que irão abrigar as famílias despejadas pela Norte Energia, construtora da hidrelétrica de Belo Monte, na cidade de Altamira.

Na última semana, a empresa promoveu os primeiros remanejamentos de moradores despejados dos bairros Olaria e Peixaria para o loteamento Jatobá, que fica a cerca de 5 km das antigas moradias.

Na última sexta feira, 17, a equipe do movimento Xingu Vivo conseguiu entrar no local e fotografar as casas em construção, constatando graves problemas nas estruturas. “É assustador. Diferente do que vem falando a empresa, e do que saiu em uma matéria do Jornal Nacional no sábado, as casas não são de alvenaria coisa nenhuma. O teto é feito de lajes com fendas onde entra água, há rachaduras nas paredes, muitas delas são escoradas com paus pra não desabarem, e, segundo nos contaram, tudo é mascarado com massa e tinta pra enganar os moradores quando são remanejados”, explica Antônia Melo, coordenadora do movimento.

De acordo com operários que trabalharam na construção, o tempo médio de levantamento de uma casa é um dia. As paredes são feitas de telas e preenchidas com concreto, com espessura média de 8 cm. “Nos falaram que o material é o mais vagabundo possível, e as famílias não têm permissão de entrar no loteamento antes da pintura da casa, pra não ver o que está por baixo”, relata Antonia.

Nesta segunda, 20, depois de uma chuva torrencial que caiu no domingo, a equipe do Xingu Vivo e famílias despejadas voltaram ao loteamento para ver as casas, mas o grupo foi impedido por seguranças armados de entrar no local. “Um segurança recebeu a gente com a mão no revolver. Imagina que construção de casa agora tem capanga armado pra ninguém ver como estão sendo feitas. Aí vem a TV Globo e fala que tudo é uma maravilha, realização de um sonho. Queria ver o repórter morar la por um mês com a sua família, nesse cubículo de 63 m2 malfeito, cheio de infiltração, longe de tudo, de escola, posto médico, do comércio”, desabafa a coordenadora do Xingu Vivo.

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Odebrecht Transport vai construir porto em Miritituba

Do Valor Econômico

Em meio à acelerada expansão de negócios voltados ao novo terminal de transbordo fluvial de Miritituba - o mais promissor canal de escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste pelo Norte do país -, mais um "player" de peso está prestes a anunciar sua chegada ao Pará. A Odebrecht Transport (OTP), braço de infraestrutura do Grupo Odebrecht, finaliza a formação de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) com a Brick Logística, empresa que desenvolve projetos portuários na região, sediada em Belém. O acordo deverá ser oficializado em 30 dias, conforme antecipou o Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor.

Segundo apurou a reportagem, a OTP investirá entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão em dois anos para a aquisição de terrenos e a construção de quatro armazéns agrícolas ao longo da BR-163, uma estação de transbordo de carga em Miritituba, às margens do rio Tapajós, um terminal no porto de Vila do Conde, em Barcarena, e barcaças. A expectativa é que essa montagem logística já esteja pronta para o escoamento da safra 2015/16 de grãos - ou mais tardar, 2016/17. A capacidade de escoamento da empresa será de três a cinco milhões de toneladas de grãos a cada ano.

A Brick Logística, parte minoritária na sociedade com a OTP, é presidida por Kleber Menezes, empresário que responde também pela Associação dos Terminais Privados do Rio Tapajós (Atap), formada há quase dois anos na esteira do interesse de gigantes do agronegócio em Miritituba. A Brick identifica terrenos na Amazônia e depois os estrutura para a sua transformação em portos.

Questionada pela reportagem, a Odebrecht Transport se limitou a dizer que "tem interesse na região". Procurada, a Brick Logística não retornou às ligações do Valor.

A entrada da OTP no mosaico logístico que começa a se formar em Miritituba está alinhada com a estratégia de avançar no agronegócio, onde a companhia já está posicionada nos setores de recepção e transporte de açúcar e etanol. Segue-se também à série de empreendimentos anunciados ao longo de 2013 para a região, que reunirá projetos fluviais bilionários para escoar mais de 30 milhões de toneladas de grãos ao exterior até 2020, segundo as estimativas do setor.

Com a entrada em operação das estações de transbordo fluvial no Tapajós, os produtores rurais do Centro-Oeste brasileiro inverterão o trajeto clássico de escoamento ao exterior - longo e custoso - até Santos (SP) e Paranaguá (PR). A nova rota permitirá levar a carga de caminhão pela BR-163 de Mato Grosso até Miritituba, no Pará. De lá, o carregamento será transferido para barcaças, que seguirão pelo Tapajós até os portos de Vila Conde, Santarém ou o de Santana, no Amapá, de onde serão novamente transferidos a grandes embarcações com destino aos mercados estrangeiros. Produtores ouvidos pelo Valor informaram que o modal hidroviário poderá reduzir em até 34% o custo do frete da safra do Centro-Oeste.

Das nove estações de transbordo planejadas para Miritituba - um distrito de Itaituba, separado do centro do município pelo rio -, apenas a da Bunge está na fase pré-operacional. As demais empresas estão em fase de apresentação do EIA-Rima, o estudo de impacto ambiental, ou prestes a receber o licenciamento. Além da múlti americana, Cargill, Hidrovias do Brasil, Unirios, Reicon, Chibatão Navegações e Cianport (joint venture da Fiagril e Agrosoja) pleiteiam estações de transbordo.

A disputa pela logística do Tapajós também levou a outra parceria inédita anunciada no fim do ano passado: a Unitapajós, joint venture de navegação fluvial entre a Bunge e a Amaggi, uma das empresas da família do senador e ex-governador mato-grossense Blairo Maggi.

A vitória da Odebrecht Transport na concessão de 850 quilômetros do filão mais nobre da BR-163, conhecida como "rodovia da soja", ajudou a dar fôlego ao projeto de saída para o Norte que as entidades ruralistas há anos defendem. "Agora só falta o governo federal cumprir a promessa e terminar o asfaltamento do restante da rodovia até Santarém", diz um grande produtor de grãos de Mato Grosso, que não quis ter o nome revelado.

Outro benefício é que, além de levar a produção brasileira para os mercados europeu e asiático, o corredor hidroviário do Tapajós também poderá trazer fertilizantes aos produtores do Centro-Oeste por um caminho bem mais curto. O Brasil importa mais de 70% da sua necessidade do insumo. Entre janeiro e novembro do ano passado, por exemplo, isso representou 20,146 milhões de toneladas, ou 11,7% a mais que em 2012.

Essa nova janela já vem movimentando o setor. Fontes ligadas às empresas empreendedoras do Tapajós disseram ao Valor que têm interesse em atuar com fertilizantes também. Já relatos da mídia paraense afirmam que, em dezembro passado, um grupo de investidores da Cevital Internacional Dubay, da Argélia, visitou Itaituba para a prospecção de terreno para a construção de uma planta de processamento de soja e de um terminal para a venda de fertilizantes trazidos da África. A informação foi confirmada pela Prefeitura do município.

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21 de jan. de 2014

Soja chega a Miritituba

Começam a chegar em Miritituba (PA) as primeiras carretas bitrens transportando soja que será embarcada na Estação de Transbordo de Cargas (ETC) da Bunge.

O porto já está em fase de testes para que as carretas possam desembarcar os grãos, que serão logo embarcados em uma barcaça, que descerá até o porto da Bunge localizado em Vila do Conde, onde finalmente a carga será embarcada num navio e exportada.

As carretas chegaram via BR-163, que já está com a sua pavimentação entra Miritituba e Cuiabá quase toda concluída (faltam pouco mais de 150 quilômetros apenas).

O porto da Bunge é o primeiro de vários que serão construídos na região. Em Miritituba, já estão confirmadas também a construção das ETCs da Cargill, Cianport, Hidrovias do Brasil, Unirios, Reicon, Maggi, entre outras. Pelo menos 17 portos devem ser construídos na região.


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15 de jan. de 2014

Norte Energia entrega a primeira das 4.100 casas dos novos bairros de Altamira

A Norte Energia entregou a primeira casa das 4.100 moradias destinadas às famílias que vivem nas áreas dos Igarapés de Altamira e que receberão casas da Norte Energia nos 5 novos bairros construídos na área urbana do município.

A família de dona Suely Moreira da Silva, 36 anos,  e do servente Ednaldo Reis Ferreira, 35 anos, receberam as chaves da residência das mãos do Diretor Socioambiental da Empresa, João Pimentel, no começo da tarde desta terça-feira, 14. A casa foi entregue totalmente pronta e fica no bairro novo Jatobá, que deve receber 1.250 famílias reassentadas.

A cerimônia de entrega, que contou com a presença da Coordenadora da Casa do Governo Federal em Altamira, Cleide de Souza,  colaboradores da Norte Energia e empresas parceiras,  foi feita sob forte comoção e aplausos dos presentes. Suely chorou ao descerrar a faixa de inauguração, em ato simbólico junto com superintendentes e colaboradores da Norte Energia, declarando: “Tanto que a gente pediu a Deus para chegar essa hora e essa hora chegou”, disse. Ela e o marido Ednaldo vão morar com os quatro filhos: Luiz Carlos, de 16 anos; Luiz Fernando, de 13 anos; Ronaldo Luiz, de 9 anos; e a caçula Suelen, de 5 anos de idade.

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14 de jan. de 2014

Itaituba: a bola da vez

Itaituba ganhou na loteria sem comprar o bilhete premiado. O município será palco de uma verdadeira revolução no setor de logística. Ao menos 17 terminais portuários serão construídos no distrito de Miritituba, a maioria deles para o transporte de agrogranéis. Os investimentos somam mais de 2 bilhões de reais e somente o ISS (Imposto Sobre Serviço) gerado para o município em dez anos ultrapassa R$ 200 milhões. Para se ter ideia, é quase o ISS gerado na construção de Belo Monte, maior obra em construção no País.

Mas não para por ai. Itaituba também terá construído em seu território e arredores nada menos que um complexo de seis usinas hidrelétricas. O Complexo Hidrelétrico do Tapajós soma investimentos de mais de R$ 60 bilhões e Itaituba será um dos maiores beneficiados. Pensa que acabou? Pelo menos seis grandes projetos de mineração devem ser instalados na região nos próximos dez anos.

Por tudo isso quem investir em Itaituba nos próximos anos não vai se arrepender. Grandes empreendimentos geram empregos, que geram renda, que alavancam a economia, que geram mais investimentos e assim por diante, num círculo positivo que, ao que tudo indica, não deve ser cíclico. Os portos, por exemplo, são para sempre e devem vir acompanhados da duplicação da BR-163.

A presidente Dilma já anunciou que este ano a pavimentação será concluída e logo será licitada a duplicação. Provavelmente, haverá concessão. O governo também acelera o projeto de construção de uma ferrovia, além da hidrovia.

Logo Itaituba deverá deixar para trás a imagem de currutela garimpeira forjada nos anos 80 e 90 para se tornar um pólo regional de serviços, uma cidade moderna e com recursos, centro gerador de empregos. É grande a possibilidade de se tornar pólo industrial. Um grupo estrangeiro já sonda áreas em Miritituba para instalar uma indústria de óleo de soja e margarina vegetal. Dois mil empregos serão gerados.

Ou seja, Itaituba é a bola da vez e desta vez parece que o empresariado paraense está atento e não vai deixar o bonde passar, como aconteceu com Belo Monte, quando o setor empresarial do Pará só soube que a usina sairia do papel quando as obras já estavam em andamento. Quem acreditar, vai se dar bem!



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18 de set. de 2013

Capacitação profissional e o desenvolvimento regional

Venho chamando a atenção neste espaço, há algum tempo, para os pesados
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12 de set. de 2013

Pará poderá ganhar 40 novos municípios

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou, nesta quarta-feira (11), substitutivo (SDC 98/2002) a projeto de lei complementar do Senado que regulamenta a criação, incorporação, fusão e desmembramento de municípios. Com a aprovação definitiva da matéria, que agora segue para exame final em Plenário com pedido de urgência proposto pelo Senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), as assembleias legislativas do país vão recuperar a condição de examinar a criação de novos municípios, suspensa há 17 anos.

Depois de aprovada no plenário do Senado, a matéria segue para sanção da Presidência da República. Para o senador Flexa Ribeiro, a aprovação das regras permitirá que se criem municípios, mas com base nas diretrizes estabelecidas. “Existem mais de 40 distritos no Pará que se enquadram nas regras que nós aprovamos, número maior que outros Estados, pela realidade do nosso Estado. O Pará tem 144 Municípios. Minas Gerais, por exemplo, tem mais de 800. Se nós compararmos o tamanho de Minas com o Estado do Pará, vamos ver que há necessidade, efetivamente, de se criarem Municípios, mas não de forma aleatória e, sim, de forma consistente, com base populacional e econômica para que possam ser sustentáveis”, disse o senador paraense.

Em aparte, o senador Casildo Maldaner (PMDB-SC), concordou e afirmou que o Pará é um exemplo da necessidade de aprovação das regras para a criação de novos municípios. “Nós, catarinenses, queremos nos associar a essa decisão. Santa Catarina é um pequeno Estado no campo territorial e está coberto com 295 municípios. Mas o Pará que o senador Flexa Ribeiro representa, sem dúvida alguma, é um país diferente. É uma região extraordinária”, disse.

Já o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), um dos autores da proposta do Senado que foi enviada para a Câmara dos Deputados, disse que o projeto é moralizador. “Algumas pessoas falam sobre esse projeto sem tê-lo lido. É muito importante ler o projeto e ver que, realmente, se ele já fosse lei, mais de dois mil municípios no Brasil não teriam sido criados. No Brasil, só temos condições de criar mais 180 Municípios, no máximo. Então, é bom que publiquemos, de maneira clara, as verdades sobre esse projeto, que, ao contrário da legislação atual, não vai permitir mais criação de Municípios inviáveis e de Municípios, repito, como lá, em São Paulo, o Município de Borá, que tem menos de mil habitantes. Isso realmente vai mudar as regras para melhor, e não para pior, como alguns comentam”, disse o senador.

Regras mais rígidas

Para atender ao que estabelece a emenda constitucional, a lei complementar terá que definir o período em que devem acontecer os atos de criação ou alteração da divisão administrativa dos municípios, tratar dos plebiscitos e dos Estudos de Viabilidade Municipal (EVMs) necessários, a serem divulgados antes da consulta popular.

Com essa finalidade, o projeto define um limite mínimo de população e outras condições para a criação de municípios, assim como as características do EVM e os quatro tipos distintos de alteração das fronteiras municipais. Entre as regras, foi definido ainda que o cadastro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) será a base de cálculo para o número de eleitores necessários à admissibilidade dos requerimentos de alteração de fronteiras político-administrativas.

Também ficou estabelecido que os limites populacionais mínimos exigidos para a criação de municípios. Enquanto o Senado propôs 5 mil habitantes para as regiões Norte e Centro-Oeste, 7 mil para o Nordeste, 10 mil para Sul e Sudeste, a Câmara propôs um cálculo com base na população municipal média do país. Os números ficaram próximos aos definidos pelos senadores e o limite será automaticamente reajustado à medida que a população cresça.

A Câmara eliminou a condição feita pelo Senado de que a arrecadação estimada do novo município seja superior à dos municípios entre os 10% que menos arrecadam do Estado. Mas os deputados introduziram um dispositivo que exige a comprovação, pelo EVM, de que o novo município seja capaz de cumprir as exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal.

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3 de set. de 2013

Hidrelétricas: O que existe entre o sim e o não?

Paulo Leandro Leal

A sociedade brasileira tem a mania de transformar tudo em uma velha luta entre o bem e o mal. Um ardil psicológico, fundado em convenções provisórias, superficiais, criadas de improviso pela mídia e pelo senso comum, que levam à execração do público umas tantas coisas das quais é bom falar mal, seja lá o que sejam. Essa condenação forma um lugar-comum no qual as pessoas se reúnem para sentir-se bem mediante discursos contra o mal.

É o caso da construção da usinas hidrelétricas. O sujeito não sabe bem o que é nem como funciona, mas viu de relance, num jornal ou num blog qualquer, que é coisa ruim. É coisa de má reputação. Falando contra ela, o cidadão sente-se igual a todo mundo, e rompe por instantes o isolamento que o humilha. Criam-se assim dois grupos: o dos bonzinhos, que são contra as hidrelétricas e apenas defendem o meio ambiente, os índios, os pescadores, etc; e os maus, que são a favor das usinas para o lucro das grandes construtoras e a destruição do meio ambiente.

É neste ambiente hostil ao debate e ao exercício da lógica que se trava mais uma guerra midiática, desta vez envolvendo a intenção do governo brasileiro de construir um complexo de usinas na bacia do Tapajós. As pessoas são bombardeadas diariamente com diversas informações superficiais ou até mesmo fictícias sobre o assunto, criando-se um caldo de cultura que leva a concluir que, para estar do lado do bem, só mesmo se opondo a um projeto que veio para destruir o bioma e o modo de vida de populações tradicionais. Um discurso pronto e velho, mas que serve muito bem à demonização e à transformação do debate numa espécie de novela das nove, onde vilões e mocinhos encontram o seu lugar no consciente coletivo.

Enquanto os contrários e os favoráveis travam uma batalha de acusações e uma guerra de informações, a realidade vai se impondo na forma da execução do projeto em si. De repente, quando tudo acaba, percebe-se que nada aconteceu. Nem as previsões catastróficas se concretizaram nem os cenários lindos e belos traçados se consumaram. Mas todos ficam satisfeitos: os partidários do não, mesmo derrotados, sentem-se superiores por estarem do lado de uma boa causa; e os partidários do sim se contentam em verem de pé aquilo que imaginam ser a sua tábua de salvação.

No meio desse mar de obscurantismo fica a ausência de idéias, projetos e ações que possam sair do lugar comum. A sociedade se divide e não busca uma discussão séria e aprofundada que traga soluções para os seus problemas. Muito mais produtivo que dizer “sim” ou “não” seria perguntar “como”. Afinal, se é fato que existe uma oportunidade criada com os bilionários investimentos previstos neste tipo de empreendimento, também é fato de que estes recursos podem simplesmente escoarem para fins diversos que não a melhoria da qualidade de vida da população regional.

É preciso ir além do lugar-comum e buscar garantias para que um projeto de tal magnitude não passe de mais um ícone de uma espécie de colonialismo que não pode mais encontrar espaço em nossa sociedade. Servir ao Brasil nossos recursos naturais deve ser não somente uma obrigação como parte integrante da Pátria, mas também motivo para que as gerações do futuro possam se equalizar em igualdade de condições àqueles aos quais servimos agora. Não será justa a imposição da necessidade nacional sem que sejam atendidos os velhos anseios de um povo que há décadas vive e se sente como se não fosse parte da Nação, como se direitos não tivesse e como se estivesse sido jogado no meio da selva, num experimento governamental que não deu certo.
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23 de jun. de 2013

Consórcio fortalece municípios da região das hidrelétricas do Tapajós

Prefeitos reunidos na criação do Consórcio Tapajós
Preparar os municípios para receber a construção do maior complexo hidrelétrico do Brasil e aproveitar o grande investimento para promover o desenvolvimento socioeconômico regional integrado. Este é o principal objetivo de um consórcio intermunicipal criado neste sábado, 22 de junho, na cidade de Rurópolis, oeste do Estado do Pará, pelos seis municípios localizados na área de influência do complexo de cinco hidrelétricas que será construído na bacia do Tapajós. O Consórcio Tapajós envolve os municípios de Rurópolis, Jacareacanga, Itaituba, Novo Progresso, Aveiro e Trairão e nasce com uma missão ousada: transformar a região num dos principais pólos de desenvolvimento do País.

A reunião que selou a criação do consórcio de municípios aconteceu durante toda a tarde e reuniu os prefeitos de Rurópolis, Pablo Genuíno; de Itaituba, Eliene Nunes; de Jacareacanga, Raulien Queiroz; de Trairão, Danilo Miranda; de Aveiro, Olinaldo Barbosa (Fuzica); e de Novo Progresso, Osvaldo Romangnole.  Também participaram do ato de criação do consórcio intermunicipal vereadores, secretários e lideranças dos seis municípios, lotando o prédio da Câmara Municipal de Rurópolis.  A entidade terá personalidade jurídica e participará ativamente das discussões para a implantação do Complexo Hidrelétrico do Tapajós e de outros projetos previstos para a região, como uma rede de terminais portuários para o escoamento da produção de grãos.

Os seis prefeitos assinaram o documento de criação da entidade e já elegeram a diretoria do consórcio intermunicipal, que terá como presidente o prefeito de Jacareacanga, Raulien Queiroz, e como vice a prefeita do município Itaituba, Eliene Nunes. Os gestores municipais ainda anunciaram como secretário executivo do consórcio o ex-prefeito do município de Uruará, Eraldo Pimenta, destacando que o secretário dará grande contribuição aos municípios, pela experiência acumulada à frente do Consórcio Belo Monte, que reúne os municípios no entorno da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, na região do Xingu.

Os chefes dos executivos municipais foram unânimes em destacar a importância histórica da criação do Consórcio Tapajós, que une os municípios em torno de objetivos comuns com a proposta de lutar por melhorias para uma região que sofre com a distância dos grandes centros e com a dificuldade que o governo federal e estadual têm em marcar uma presença mais efetiva. Os prefeitos entendem que a região começou a ser vista com outros olhos pelo governo e pelo País e vai receber investimentos bilionários, o que exige um comprometimento firme das autoridades municipais para garantir que os problemas históricos sejam solucionados e que estes investimentos se traduzam em desenvolvimento com sustentabilidade e melhoria da qualidade de vida da população.

Prefeitos destacam união em defesa do desenvolvimento regional

Para o anfitrião do evento, o prefeito de Rurópolis, Pablo Genuíno, os gestores municipais estão se adiantando à construção das hidrelétricas no Rio Tapajós, para garantir que este empreendimento possa também significar mais investimentos em saúde, educação, segurança pública, infraestrutura urbana e rural e nos potenciais econômicos regional, como a agricultura. “Fomos esquecidos durante muitos anos, mas esta região será a menina dos olhos do Brasil, pelo seu potencial para a geração de energia e pela localização estratégica para o escoamento da produção de grãos”, disse o prefeito, destacando que a oportunidade gerada com estes investimentos não será desperdiçada pelos gestores dos municípios localizados na região.

O presidente do Consórcio Tapajós, prefeito de Jacareacanga, Raulien Queiroz, agradeceu a confiança dos colegas e garantiu empenho e dedicação para que a entidade possa ganhar cada vez mais força para lutar por melhorias para os municípios da região.  “Vai trazer melhores oportunidades para discutir o desenvolvimento da região. Vamos ser municípios fortalecidos e ter condições de conquistar melhorias para todo o nosso povo”, disse o prefeito. Raulien disse ainda que a região precisa se preparar para que os investimentos que serão feitos se traduzam não apenas em crescimento econômico, mas em desenvolvimento social com preservação do meio ambiente.

Vice-presidente do Consórcio, a prefeita de Itaituba, Eliene Nunes, destacou a posição estratégica da região, que vai receber grandes empreendimentos na área energética e no setor de portos e logística. “A construção dos portos e das usinas são importantes não apenas para a região, mas são saídas para o Brasil. Precisamos buscar novos recursos para o desenvolvimento regional e saber que desenvolver não é apenas crescer economicamente, mas trazer benefícios para o nosso povo”, discursou Eliene, acrescentando que a união dos seis municípios dá um peso político maior para a região, que terá melhores condições de implantar políticas públicas que beneficiem a população.

O prefeito de Trairão, Danilo Miranda, destacou o caráter apartidário do consórcio, que coloca a região em primeiro lugar acima de qualquer interesse partidário ou eleitoral. Ele ratificou que o objetivo da entidade é preparar os municípios para os grandes projetos e enalteceu a nomeação do ex-prefeito de Uruará, Eraldo Pimenta, para a secretaria executiva do Consórcio. “O Eraldo é a pessoa certa para nos ajudar, pela experiência acumulada com a hidrelétrica de Belo Monte e por ter as portas abertas no setor elétrico e no governo federal, o que vai contribuir para que possamos trazer os investimentos e recursos necessários para o nosso desenvolvimento”, disse.

Na avaliação do prefeito de Aveiro, Olinaldo Barbosa, os municípios da região estão travados, sem arrecadação própria e com poucos recursos, o que coloca os gestores municipais em situação difícil. “O consórcio vai ajudar a mudar esta situação e a buscar projetos a recursos. Se compararmos nossa região as outras vemos que somos esquecidos. Você anda no Sul do País e só ver asfalto, mas aqui temos estradas que são uma vergonha. Temos que exigir que seja feito aquilo que temos direito”, destacou o prefeito, acrescentando que a construção das hidrelétricas é uma oportunidade para mudar esta realidade.

Osvaldo Romangnole, prefeito de Novo Progresso, disse que a organização dos municípios em um consórcio é uma forma de fortalecer a luta por melhorias para a região. “Quem se organiza prospera, quem não se organiza fica para trás”, discursou, destacando que os municípios têm que estar preparados para mudar a história da região. “Tenho muito orgulho de participar deste consórcio e vamos juntos lutar  por mais recursos e mostrar que a nossa região tem objetivos, tem metas e sabe exatamente o que quer. Vamos fazer chegar aqui as ações do governo federal e do governo estadual”, finalizou.

Momento histórico

O secretário executivo do Consórcio Tapajós, Eraldo Pimenta, classificou a data da criação da entidade como um momento histórico para a região. “Um dia histórico, quando se reuniram seis brilhantes prefeitos que entendem a importância dos investimentos que irão mudar a realidade desta região”, disse, acrescentando que o Consórcio Tapajós forma junto com o Consórcio Belo Monte um bloco de 17 municípios em uma área contígua, gerando uma grande força política.

“Tenho convicção que haverá o antes e o depois destes investimentos e temos que aproveitar esta oportunidade e transformar em realidade. A partir deste momento teremos força para lutar não apenas por mitigações para os impactos destes empreendimentos, mas cobrar ações  dos governos federal e estadual”, disse Eraldo, que agradeceu a confiança dos gestores municipais e prometeu empenho e uso de toda a experiência que adquiriu à frente do Consórcio Belo Monte e o processo de implantação da usina no rio Xingu. “Já percorremos este caminho. Vamos copiar aquilo que deu certo e fazer diferente naquilo que erramos”, finalizou.
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7 de jun. de 2013

A hora e a vez do oeste do Pará

Paulo Leandro Leal

A região oeste do Pará, mais precisamente os municípios que compõe o sonhado Estado do Tapajós, vive um momento ímpar em sua história: nunca tantos investimentos públicos e privados foram feitos na região. Nos próximos dez a quinze anos, mais de R$ 70 bilhões devem ser investidos na região, em projetos que vão desde a construção de grandes hidrelétricas, passando por pavimentação de rodovias e construção de portos, chegando a projetos de extração e verticalização mineral.

Diferentemente dos grandes projetos implantados na Amazônia no século passado, os empreendimentos em curso e planejados para a região chegam dentro de uma nova ótica: a do desenvolvimento sustentável. Isso agrega aos investimentos uma soma notável de recursos destinados à melhoria das condições de vida na região, além de desenvolvimento de projetos paralelos de geração de emprego e renda. Resumindo, temos uma oportunidade única de alavancar o desenvolvimento regional e transformar o oeste paraense numa das regiões mais prósperas do país.

Projetos como a construção de Belo Monte, do Complexo Hidrelétrico do Tapajós, a pavimentação da Transamazônica e da BR-163, a construção dos portos em Itaituba – apenas para citar alguns – vão injetar bilhões na economia regional, estimulando os mais variados segmentos econômicos.  Uma oportunidade para o crescimento dos negócios locais e para o estímulo das mais variadas cadeias produtivas regionais, além do incremento de tecnologia e incentivo à competitividade.

O desafio do setor privado regional é acompanhar estas mudanças, acreditar, investir e se capacitar para não ficar vendo o bonde de história passar. Grandes projetos exigem fornecedores especializados e capacitados. Além de uma mão de obra extremamente capacitada. É preciso se antecipar a estes investimentos e se preparar para este novo tempo, com investimentos na gestão profissionalizada dos negócios e na capacitação da mão de obra regional.

Do lado do setor público, cabe às lideranças aproveitar este momento para resolver problemas históricos, como a falta de infraestrutura nas cidades, melhorar a gestão pública e estruturar os pólos regionais para receber o fluxo populacional atraído pelos empreendimentos bilionários. Mas o desafio principal é criar políticas públicas de desenvolvimento que gerem alternativas a estes investimentos, que têm prazo para acabar.  Precisamos atrair indústrias, alavancar o turismo e aproveitar nosso potencial biológico.

É preciso empenho e união de todos no sentido de criar um círculo virtuoso de crescimento econômico e bem estar social, sem deixar de lado a preservação do meio ambiente. Com dedicação e esforço conjunto podemos construir uma região muito melhor para as futuras gerações.

* É jornalista, empresário e empreendedor da Amazônia
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9 de mai. de 2013

Hora de alavancar a competitividade

Paulo Leandro Leal

A avalanche de investimentos que deve ser despejada na região nos próximos anos vai dinamizar a economia, mas traz consigo um imenso desafio para o setor privado regional: aumentar a competitividade. Atrás dos investimentos também chega a concorrência, daí a necessidade do empresariado local buscar a capacitação, o aperfeiçoamento dos processos de gestão e a melhoria da qualidade de produtos e serviços.

É necessária uma preparação maior para este novo momento. E não é somente a disponibilização de capital que garante o sucesso. É preciso ir além, preparando as empresas para atuarem num ambiente de maior competição, mas com muito mais oportunidades de crescimento. Só vai crescer e prosperar quem entender a necessidade de profissionalização, otimização de processos e, também, se houver uma busca conjunta pela solução de gargalos.

Entre os gargalos que mais impactam a competitividade das empresas da região estão os problemas logísticos e os de comunicação. Estradas ruins ou intrafegáveis, transporte caro e distância dos grandes centros são um desafio. Desafio ainda maior é a falta de infraestrutura de comunicação. O simples ato de fazer uma ligação com o celular na região pode ser um exercício de paciência. É preciso um esforço conjunto para solucionar estes problemas.

Outro desafio é a preparação das empresas para que possam se adequar às necessidades de grandes projetos e empreendimentos que estão chegando, para que possam atuar como fornecedores. Muitas vezes os empreendedores locais ficam literalmente só olhando, por falta de condições de fornecer produtos e serviços com a qualidade, preço e condições adequadas às demandas de grandes empreendimentos.

A melhoria da competitividade das empresas locais é uma das chaves para aproveitar este bom momento, quando grandes investimentos estão chegando, juntamente com uma atenção maior do Estado Brasileiro. Empresa local forte significa maior geração de empregos locais e internalização das riquezas geradas por grandes projetos.
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8 de mai. de 2013

Os erros de Belo Monte

Paulo Leandro Leal

Com as obras de construção da usina de Belo Monte avançadas em mais de 40% do seu cronograma, já é possível fazer uma avaliação e descobrir os erros que estão levando o projeto a se transformar no monstrengo tanto vaticinado pelos ecochatos – ou ecólatras. Lamentavelmente, nem o governo nem os empreendedores privados estão conseguindo transformar o empreendimento em modelo de implantação de projetos de grande porte na Amazônia.

O maior erro de Belo Monte foi não ter havido a criação de mecanismos de acompanhamento, controle e cobrança do cumprimento das medidas condicionantes e compensatórias previstas no licenciamento ambiental. Não foram criados mecanismos de punição para os empreendedores, no caso de eles não cumprirem o previsto. Todo este acompanhamento está a cargo do Ibama, que demonstrou total falta de capacidade e competência, além de ausência da força política necessária para fazer cumprir o que ele mesmo determinou no licenciamento.

O processo de construção das ações compensatórias e condicionantes foi realizado com muito êxito. A sociedade se mobilizou da maneira correta e obteve grandes resultados. Acredito que nunca antes um projeto implantado na Amazônia teve tantos recursos previstos para ações econômicas e socioambientais em benefício das populações locais direta e indiretamente atingidas. Houve um envolvimento institucional entre sociedade e governo, criando um projeto extremamente ousado no que diz respeito aos compromissos socioambientais.

Uma das preocupações da sociedade era com o imenso passivo social e ambiental já existente na região, uma herança da malfadada implantação da Rodovia Transamazônica, nos anos 70.  O temor é que este passivo se juntasse a outros criados com a construção de Belo Monte, que como qualquer outro grande projeto tem seus impactos negativos. Então foram criados programas tanto para sanar os problemas existentes como para mitigar os novos, causados já por Belo monte.

O problema é que estas ações não saem do papel, ou saem muito lentamente, tornando-se quase irrelevantes. E o que vemos são problemas do passado se somando a problemas do presente, já ocasionados pela construção da usina. Se a esperança era que Belo Monte chegasse para resolver os gargalos e problemas da região, a triste realidade é que hoje só existem mais problemas e preocupações. E pelo andar da carruagem, Belo Monte tem tudo para se tornar mais um grande projeto enfiado goela abaixo da população amazônica, com contrapartidas irrisórias.

Se tirarmos as obras de Belo Monte do cenário econômico regional o que sobra é só pobreza, miséria e desemprego. E nunca é demais lembrar que logo estas obras acabam. Milhares de pessoas fecharam seus pequenos negócios para trabalhar na obra. Milhares de pessoas abandonaram suas pequenas lavouras para trabalhar na obra. Milhares de pessoas chegaram à região para trabalhar nas obras. O que será destas pessoas? Até o momento, nem o governo nem os empreendedores responsáveis pelo projeto têm qualquer resposta a esta questão.

A situação é grave. A região pagará a fatura – e caro – pelos erros cometidos no processo de construção de Belo Monte. Erros que ainda podem ser corrigidos, ainda que tardiamente, mas que hoje servem de lição para todos que se arvoram a defender, com fervor, a construção de grandes projetos hidrelétricos na Amazônia. É preciso ser duro a intransigente com o governo e com os empreendedores. É preciso também que o Estado brasileiro chegue na frente, com ações e políticas públicas  que ao menos minimizem nossos problemas atuais. Sem isso, as usinas só servem para gerar energia para o Sul e Sudeste e para enriquecer um pouco mais os donos de grandes construtoras.
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16 de abr. de 2013

Grupo Georadar vai investir R$ 80 milhões no oeste do Pará

Um total de R$ 80 milhões, que serão utilizados para pesquisa de gás e petróleo na região oeste do Pará, foi o valor anunciado em uma audiência pública do Grupo Georadar com a prefeitura de Santarém na noite de 9 de abril, na Associação Comercial e Empresarial de Santarém (ACES).

O diretor financeiro do grupo, Luiz Nagata, destacou que este valor faz parte de um empréstimo que o Georadar recebeu por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Cadeia de Fornecedores de Bens e Serviços relacionados ao setor de Petróleo e Gás (P&G), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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Oeste do Pará: R$ 70 bilhões em investimentos nos próximos 10 anos

A região Oeste do Pará vai receber nos próximos dez anos mais de R$ 70 bilhões em investimentos públicos e privados, tornando a região um dos principais pólos de desenvolvimento do País. Os maiores investimentos são para a construção de usinas hidrelétricas, mas também existem recursos para pavimentação de estradas, construção de portos e projetos de mineração.

Um dos principais projetos já está em construção. Trata-se da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, na região de Altamira. O empreendimento deve custar cerca de R$ 26 bilhões e está mudando a dinâmica da economia de mais de 10 municípios na área de influência do projeto. Cerca de 80 mil empregos diretos e indiretos estão sendo gerados, além da grande injeção de recursos através da geração de impostos.

Outro empreendimento de peso que deve começar a sair do papel este ano é o complexo hidrelétrico do Tapajós. Serão cinco usinas ao custo de mais de R$ 30 bilhões, investimento que deve alterar a realidade socioeconômica de pelo menos sete municípios localizados na área de influência do Rio Tapajós, especialmente a cidade de Itaituba. O projeto promete ser inovador: as usinas serão construídas no modelo de plataforma, da mesma forma que funciona os projetos de extração de petróleo, com menor impacto ambiental.

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3 de abr. de 2013

Belo Monte já nasceu velha

A Usina Hidrelétrica de Belo Monte é uma obra essencial para o Brasil. Sem ela, teríamos dificuldades de atender a demanda da energia elétrica nos próximos anos. Por isso o governo decidiu enfrentar organizações ambientalistas poderosas e o lobby indigenista e construir a mega hidrelétrica. A idéia era fazer do empreendimento um modelo de grande projeto na Amazônia dentro de um novo paradigma: a sustentabilidade. Mas Belo Monte nasceu com um problema de origem grave, unindo o atrasado oligarquismo brasileiro ao novo nacionalismo-estatismo. Belo Monte já nasceu velha.

O maior problema de Belo Monte não é a questão ambiental. Muito menos indígena. O maior problema do projeto se chama Norte Energia S/A. A empresa que venceu a concessão pública do empreendimento é um mostrengo criado pelo governo às vésperas da licitação. Deveria ser privada, mas na prática funciona como um braço do estado, controlado pelo governo federal, através de empresas estatais e dos fundos de pensão. Reúne a conhecida incompetência estatal brasileira à voracidade de um capitalismo que já deveria ter morrido no século passado.

Tudo somado, a Norte Energia reúne o que há de mais atrasado no Brasil em matéria de divisão entre o que é público e o que é privado. Na empresa, esta divisão simplesmente não existe, confundindo-se interesses de grandes empresas aos do governo, ou mesmo servindo para acomodar interesses de velhas oligarquias políticas que há muito deveriam estar desalojadas do coração do poder. A empresa se transformou numa espécie de órgão governamental a serviço do lucro de grandes empreiteiras e traders do setor elétrico e da mineração.

O resultado não poderia ser pior. Uma empresa que parece pairar acima do bem e do mal. Com poderes para destituir de presidentes do Ibama até calar membros do Ministério Público Federal, ou ainda perseguir aqueles que ousam atravessar o seu caminho. É o braço pesado da União na sua pior forma. Por isso a Norte Energia não faz nenhuma questão de dialogar com a sociedade regional, que foi engana e vê a hidrelétrica sendo construída sem que as contrapartidas prometidas pelo governo sejam cumpridas.

A região sob influência do projeto está sofrendo todos os velhos problemas causados por grandes projetos na Amazônia. A economia está aquecida, mas tão logo os milhares de trabalhadores comecem a ser demitidos, tudo tende a voltar a ser como antes: desemprego, falta de infraestrutura. O cenário é de terra arrasada. Tudo por conta de uma empresa que não aceita críticas, faz questão de descumprir o que determina o licenciamento ambiental e de mudar as regras do jogo a qualquer momento.

Belo Monte vau cumprir seu papel fundamental que é gerar a energia que o Brasil precisa para crescer. Mas dificilmente será modelo de projeto na Amazônia. Tudo aponta para um caminho tortuoso: mais um grande projeto implantado na Amazônia a toque de caixa, com total desrespeito às sociedades locais e dando em troca algumas migalhas, deixando um legado de injustiças sociais e desigualdade. O governo criou o monstro, e parece alimentá-lo para que cresça ainda mais, ao invés de tentar corrigir os erros.
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