Venho chamando a atenção neste espaço, há algum tempo, para os pesados
investimentos que estão sendo feitos e previstos para a região Oeste do Pará. São bilhões de dólares investidos em empreendimentos como usinas hidrelétricas, estradas, linhas de transmissão, plantas minerais, portos, entre outros. Do mesmo modo, venho alertando que sem políticas públicas efetivas e focadas, não iremos conseguir aproveitar este momento para impulsionar o desenvolvimento regional.
Uma das chaves para esse desenvolvimento é a capacitação profissional. Milhares de empregos estão sendo gerados agora. Centenas de milhares de oportunidades serão criadas nos próximos anos. Só na construção de Belo Monte são mais de 80 mil trabalhadores, entre diretos e indiretos. Mas a contratação de mão-de-obra local esbarra na falta de qualificação. O resultado é que os melhores postos e salários acabam sobrando para trabalhadores de outras regiões, ocasionando uma “evasão” de recursos vultuosos.
Ainda tomando como exemplo Belo Monte, são mais de 50 mil trabalhadores de outras regiões. Essas pessoas ficam em alojamentos e o salário quase todo é enviado para a família, em outros estados. O dinheiro não circula na região, no comércio, ou seja, não cria valor para a economia regional, em que pese o aumento substancial da demanda por serviços públicos. Os trabalhadores captados na própria região, em geral, possuem pouca qualificação e recebem baixos salários.
O mesmo pode acontecer na região de Itaituba, que está recebendo a construção de um grande complexo portuário para o escoamento de grãos. Só os sete portos previstos para Mirirituba devem gerar cerca de 1.500 postos de trabalho, com dispêndio de mais R$ 80 milhões por ano em salários e encargos. Se não houver uma política de capacitação profissional agora, boa parte deste dinheiro deve ser enviada para outras regiões, pois não haverá mão-de-obra local capacitada para ocupar as vagas abertas.
A capacitação profissional tem uma importância vital para o desenvolvimento regional. O investimento em cursos profissionalizantes deve seguir diretrizes baseadas nas necessidades criadas pelas demandas dos empreendimentos em curso. E as políticas públicas nesse sentido devem ser intensificadas, exigindo da classe política um maior comprometimento com ações que produzem resultados efetivos.
A classe empresarial comprometida deve se empenhar, se mobilizar no sentido de dar condições para que a população da região possa ocupar melhores cargos e melhores salários, o que se traduz em mais dinheiro circulando na região, criando valor para todos os envolvidos no processo econômico, gerando riquezas e o desenvolvimento que tanto almejamos.
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