Paulo Leandro Leal
A Rede Celpa deixou metade da cidade de Altamira sem energia durante mais de seis horas na noite deste domingo. O problema vem se repetindo há alguns meses. Em processo de franca expansão devido à construção da usina de Belo Monte, a cidade convive com freqüentes apagões, sem falar na demora na execução de serviços, como novas ligações. E tudo sem qualquer justificativa ou explicação por parte da Rede Celpa.
Como todos sabem, a Rede Celpa está em Recuperação Judicial, antiga concordata. Trata-se de uma tentativa de salvar a empresa do Grupo Rede da falência. Entretanto, quem conhece a fundo a empresa diz que dificilmente se evita o fechamento da Celpa sem uma intervenção do governo federal. Trocando em miúdos, seremos nós, os contribuintes, que teremos que socorrer esta empresa que, por tantos anos, prestou serviços de péssima qualidade à sociedade.
O problema da Rede Celpa evidencia a total falta de fiscalização por parte do governo paraense e também pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Como deixaram a situação chegar a este ponto? O governo do Pará, que privatizou a antiga, sucateada e ineficiente Celpa, se esqueceu de acompanhar e fiscalizar a empresa privatizada. O apagão governamental permitiu que a situação chegasse ao fundo do poço, com efeitos até agora imprevisíveis para o cidadão paraense.
Como sempre, o interior é o mais afetado, com freqüentes apagões, interrupções no fornecimento, alterações na tensão elétrica entre outros problemas. Sem falar na demora para novas ligações, inclusive para empresas. Um problema extremamente grave, considerando o caráter estratégico da energia elétrica para o desenvolvimento. Programas como o Luz Para Todos, que leva energia para as populações mais distantes, corre o risco de ficar paralisado.
O Grupo Rede deve ser responsabilizado pela gestão incompetente e ineficiente na Celpa. Uma investigação seria necessária para saber, inclusive, se houve má fé ou a evasão dos lucros da companhia para outras empresas do grupo. Mas o grande responsável é mesmo o governo paraense, que desde a privatização da Celpa nunca cobrou o cumprimento do contrato de concessão nem exigiu respeito da empresa para com o povo paraense. Foi uma relação marcada por bajulação.
Agora a sociedade é obrigada a conviver com o risco iminente de ficar sem energia de uma hora para outra, sem qualquer aviso. O governo do Estado parece que continua apagado, uma vez que não se houve um pio sobre o assunto nem se enxerga qualquer ação no sentido de solucionar o problema.
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