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16 de jun. de 2014

AUTORIZADOS OS ESTUDOS PARA FERROVIA QUE VAI LIGAR O MATO GROSSO A MIRITITUBA

O governo federal autorizou no dia 10 a elaboração de estudos para a construção de seis novas ferrovias, que somarão 4.676 km. A expectativa é que empresas interessadas se candidatem a elaborar as análises sobre a viabilidade das linhas e apresentem suas propostas, que passarão por uma seleção pelo Ministério dos Transportes. Depois, esses estudos serão detalhados em projetos e só então começará a construção.

Dois dos trechos a serem analisados coincidem totalmente com uma proposta apresentada ao governo em março passado pelo grupo Pirarara, formado por quatro gigantes do agronegócio: Bunge, Cargill, Dreyfus, Maggi, mais a estruturadora de negócios Estação da Luz Participações (EDLP). Conforme revelou o jornal "O Estado de S. Paulo" à época, elas não só pediram para fazer os estudos, como também se comprometeram a investir na construção das linhas, o que demandará recursos estimados entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões.

Pela proposta do Pirarara, a principal via de escoamento da produção do Mato Grosso ligará Sinop (MT) ao porto fluvial de Miritituba (PA), de onde a carga seguirá em barcaças até os portos mais ao Norte. A estimativa das empresas é que 40% da produção de grãos e farelo do Estado sejam embarcadas por essa linha, batizada de "Ferrogrão".

Também foi contemplada uma ferrovia entre Sapezal, no oeste mato-grossense, até Porto Velho (RO). É outro trecho sugerido pelas empresas do agronegócio.

"Estamos muito animados", disse o presidente da EDLP, Guilherme Quintella. Ele informou que o grupo vai se candidatar a fazer os estudos. "As prefeituras e os produtores do Mato Grosso estão entusiasmados com a ideia."

De acordo com o Ministério dos Transportes, as linhas entre Sinop e Miritituba e Sapezal e Porto Velho serão estudadas num prazo de oito meses. Para as demais, o prazo é de seis meses. A pasta esclareceu também que não há exclusividade. Ou seja, mais de um grupo pode estudar o mesmo trecho.



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14 de jun. de 2014

Custo Brasil: Belo Monte deve atrasar geração de energia em mais de um ano

A geração de energia pela usina hidrelétrica de Belo Monte deve atrasar pelo menos um ano. O pedido de adiamento consta de ofício enviado em 22 de maio à Aneel.  A usina fica no rio Xingu, em Altamira e Vitória do Xingu (PA). Quando estiver pronta, levará energia a 17 Estados e até 60 milhões de pessoas, segundo a concessionária.

A hidrelétrica se compõe de duas barragens. Pimental sediará a casa de força auxiliar, para gerar 233 megawatts (MW). Em Belo Monte do Pontal, a casa de força principal, ficarão 18 turbinas para produzir 11.000 MW. O ofício CE 036/2014 PR da Nesa solicita mudança do cronograma de geração nas duas instalações.

A primeira turbina de Pimental deveria produzir energia em fevereiro de 2015. Pelo pedido, ainda em exame pela Aneel, o prazo se estenderia para abril de 2016. A sexta e última máquina de Pimental entraria em operação só em janeiro de 2017. No caso de Belo Monte do Pontal, a geração comercial da primeira turbina iria de março de 2016 para março de 2017. A 18ª máquina, que completa os 11.233 MW (8,7% do potencial de geração hoje instalado no Brasil), deve funcionar em janeiro de 2020.

O ofício afirma que o atraso se deveu a "fatos resultantes de atos do poder público, casos fortuitos e de força maior, excludentes de responsabilidade por parte da Norte Energia". Os "atos do poder público" se referem à postergação do processo de licenciamento ambiental e às sucessivas ações do Ministério Público Federal contra o empreendimento, por descumprir as chamadas condicionantes ambientais. Houve várias liminares da Justiça derrubadas em instâncias superiores.

DESVIO DO XINGU

"Durante dois anos, 2011 e 2012, houve perda da janela hidrológica do período de seca", diz Delorgel Valdir Kaiser, gerente de Comunicação da Nesa. "Como consequência, a primeira fase do desvio do Xingu, programada para dezembro de 2011, só pôde ser realizada em janeiro de 2013." A Nesa alega que enfrentou 441 dias de atraso na implantação das obras no sítio Pimental. Ali fica a barragem que formará o chamado reservatório principal (com 370 km², a maior parte deles no leito alagável do Xingu), cujo enchimento deveria começar na próxima virada de ano.

A empresa também aponta 124 dias perdidos no sítio Belo Monte, alvo de bloqueios de grupos indígenas e organizações sociais. Isso teria atrasado a implantação do canal de derivação (de 20 km) e de 28 diques para formar o reservatório intermediário (130 km²), que vai alimentar as 18 turbinas mais potentes.

(Folha de São Paulo)

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9 de jun. de 2014

O DESENVOLVIMENTO É PELO NORTE

O Estado de São Paulo / O estrangulamento do sistema portuário das Regiões Sul e Sudeste acelerou os planos da iniciativa privada para abrir um novo corredor de exportação, mais curto e até 35% mais barato. Sonho antigo dos empresários do agronegócio, a chamada “saída pelo norte” começou a virar realidade no fim de abril, quando a americana Bunge inaugurou o complexo portuário em Miritituba e Barcarena, no Pará. Daqui para a frente, uma série de outros projetos estão programados para sair do papel.

Dados da Secretaria de Portos (SEP) mostram que há mais de R$ 5,5 bilhões de investimentos na Amazônia, entre áreas que serão arrendadas pelo governo federal e Terminais de Uso Privativo já autorizados. Há ainda uma série de projetos aguardando autorização da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) ou ainda em estudos que não estão computados nessa conta, como os projetos da Cianport, Odebrecht, Unirios e Caramuru Alimentos. “O corredor norte é a maior obra de expansão do País”, afirma o ministro de Portos, Antonio Henrique Pinheiro Silveira.

A busca por novas alternativas logística virou prioridade com a mudança geográfica do agronegócio. Com os maiores produtores de grãos instalados no norte de Mato Grosso, a saída natural eram os portos do Norte. Mas, com a falta de capacidade dos terminais, quase toda a safra era – e ainda é – escoada pelos portos do Sul e Sudeste, em especial Santos e Paranaguá (distantes 2.250 km e 2.350 km, respectivamente, de Sorriso). Cansados de conviver com congestionamentos gigantes, que todo ano se formam nas rodovias que ligam esses portos, várias empresas deram início a uma série de projetos.

Em três anos, o volume de movimentação de grãos pelo Norte deverá quadruplicar, saindo de 5 milhões de toneladas para até 20 milhões de toneladas, afirma o ministro de portos. Segundo ele, os sistema do Sul e Sudeste não vão perder carga, mas todo o acréscimo de safra será transportado pelo novo corredor, que consolida no País o conceito de intermodalidade. A rota de exportação pelo Norte interliga rodovia, rio e mar.

Miritituba e Santarenzinho, na beira do Tapajós, são os locais com maior número de projetos, afirma o coordenador executivo do Movimento Pró Logística, Edeon Vaz Ferreira. Segundo ele, a lista de empresas inclui Cianport, Hidrovias do Brasil (do Pátria), Cargill, Unirios, Amaggi, Dreyfus, Odebrecht e Bertolini. Alguns desses investidores também apostam em terminais na ponta final.

O complexo da Cianport, empresa formada por Agrosoja e Fiagril, prevê uma estação de transbordo em Miritituba e um terminal em Santana, no Amapá. O projeto, de R$ 350 milhões, aguarda autorização da Antaq e licença de instalação para iniciar as obras, diz o diretor-presidente da companhia, Cláudio José Zancanaro. A previsão é que cada comboio de barcaças transporte 32 mil toneladas de grãos, o que representa tirar 850 caminhões das estradas. “De Miritituba, as barcaças vão percorrer 300 km pelo rio Tapajós e 550 km pelo Amazonas até Santana.”

A Hidrovias do Brasil optou pelo Porto de Vila do Conde. No momento, a empresa aguarda a assinatura do contrato com a Antaq para começar a construir o complexo, com terminais em Miritituba e Vila do Conde, em Barcarena. A frota para navegação já foi encomendada. São 140 barcaças e 5 empurradores, afirma Bruno Serapião, presidente da companhia. Segundo ele, a expectativa é que o sistema esteja pronto para entrar em operação em fevereiro de 2016. “Na primeira fase, que vai durar entre 3 e 5 anos para maturar, o complexo terá capacidade para transportar 4,4 milhões de toneladas.”

A gigante americana ADM também escolheu Barcarena para instalar seu terminal, com capacidade para 1,5 milhão de toneladas na primeira fase. O empreendimento já foi concluído e aguarda as últimas licenças para iniciar operação. Na segunda fase, prevista para 2016, o terminal poderá movimentar 6 milhões de toneladas. A multinacional disse que está finalizando um projeto na região de Miritituba para fazer o transporte pelo Rio Tapajós.

Na opinião do consultor Frederico Bussinger, diante de tanta prosperidade o País não pode cair na mesma armadilha do último ciclo de investimento da Amazônia. “É preciso ter uma visão de médio e longo prazos para incluir a população nesse desenvolvimento. Por enquanto, as cidades não participam desse avanço.”


TERRAS SOBEM DE R$ 50 MIL PARA R$ 2 MILHÕES

A corrida de grandes empresas para construir terminais na beira do Rio Tapajós tem inflacionado as terras em Miritituba e Santarenzinho, pertencentes à Itaituba. Ali terrenos que há dois anos eram vendidos por R$ 50 mil agora não saem por menos de R$ 2 milhões. Os números enchem os olhos de proprietários antigos da região, que compraram terras com o dinheiro do garimpo.

Maria de Lourdes da Silva, de 75 anos, tem três lotes na área onde estão sendo construídos os terminais. Com medo de ser enganada, ela não quis intermediário na venda dos terrenos. Sozinha, atravessou o Rio Tapajós de balsa para tratar da venda diretamente com os interessados. “Dizem que a minha área vale mais de R$ 1 milhão. Mas os corretores querem pagar menos.”

A relação entre proprietários e corretores tem sido difícil. Com os valores milionários, os donos das terras se recusam a pagar comissões altas. A solução tem sido fazer acordos, como fez o corretor Ivenildo Cohen Claudio Rodrigues. O dono dos lotes pediu R$ 4 milhões por 680 hectares de terra. “O que conseguisse acima disso, era meu.” Ninguém imaginava que ele conseguiria uma oferta de R$ 8 milhões. Ou seja, se o acordo for cumprido, ele se tornará o novo milionário de Itaituba, com R$ 4 milhões no bolso.

Além das área na beira do rio, terrenos mais afastados, localizados na margem da Transamazônica, também são disputados. Vislumbrando a demanda com a construção dos demais terminais, os endinheirados de Itaituba decidiram construir hotéis, estacionamentos e áreas de convivência.

O engenheiro Nilson Guerra conta que está elaborando o projeto de um complexo de estabelecimentos comerciais voltados para motoristas e visitantes da região. “Haverá um estacionamento para 800 carretas, um hotel com 150 apartamentos e uma área de convivência para os caminhoneiros, com restaurantes e banheiros.”

Esse não deve ser o único empreendimento. Há outros em estudo. O que a administração de Itaituba reclama é que toda a economia vai movimentar do outro lado do rio. Com os hotéis e restaurantes, quem for para Miritituba nem precisa atravessar o rio.

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29 de mai. de 2014

A soja abre caminhos pelo Norte

Ao cruzar a baía de Marajó no último dia de abril, o navio Taurus Ocean carregado de soja escancarou apressado uma nova porteira para a logística do agronegócio do Brasil, país eficiente nas fazendas e de infraestrutura ainda sofrível.

As 60 mil toneladas que a embarcação carregava para a Espanha foram as primeiras escoadas por um corredor ligando as lavouras de Mato Grosso (maior produtor do Brasil) ao promissor porto de Barcarena, no Pará, por meio de rodovias e rios até agora pouco explorados.

A rota, que inclui a polêmica e ainda inacabada rodovia BR-163, além das hidrovias do Tapajós e do Amazonas, deverá tornar-se nos próximos anos a principal alternativa à exportação de grãos pelos saturados portos do Sul e do Sudeste do país.

O revolucionário trajeto para a competitividade agrícola do Brasil, no entanto, ainda apresenta desafios, especialmente neste momento em que obras ainda precisam ser finalizadas no corredor logístico, que cruza uma área bastante preservada da Floresta Amazônica, expondo preocupações sociais e ambientais.

Em um caminhão carregado com 50 toneladas de soja, o motorista Kleber Silva de Souza começou sua viagem em Sorriso, maior município produtor de grãos do Brasil, no norte de Mato Grosso.

Três dias, mil quilômetros e muitos atoleiros depois, ele chegou ao novo terminal da Bunge no distrito de Miritituba, município de Itaituba (PA), às margens do caudaloso rio Tapajós, onde agora ocorre o embarque de soja em barcaças com destino a Barcarena, para ganhar depois o oceano Atlântico.

"Não quero mais voltar. É muito buraco, muita lama", disse ele à Reuters, ao lado do caminhão, antes de descarregar em Miritituba. "Subi a última ladeira arrastado por um trator do Exército."

O trajeto, que vem sendo cada vez mais utilizado nos últimos meses, é feito basicamente pelo trecho paraense da BR-163, uma rodovia aberta no meio da selva na década de 1970 e que até hoje não está completamente asfaltada. As obras começaram efetivamente em 2009 e, após incontáveis atrasos, o governo federal promete conclui-las no ano que vem.

Até lá, quem rodar pela estrada vai cruzar com quase 200 quilômetros de chão batido. Em se tratando de Amazônia, isso se traduz em lodo na metade chuvosa do ano e muita poeira no período de seca.

Poucos veículos resistem incólumes.

"Aqui quebra muito caminhão", resumiu o mecânico Joceclei Assunção da Silva, deitado no barro, debaixo da carroceria de uma carreta que tentava consertar.

Em Miritituba, grandes empresas --a primeira a operar é a Bunge-- estão instalando terminais de transbordo, que recebem os grãos dos caminhões e os despejam em grandes comboios de barcaças.

As embarcações, capazes de transportar 40 mil toneladas ou a carga de mil carretas, viajam cerca de 80 horas pelo Tapajós e depois pelo Amazonas até Barcarena, já bem perto do oceano Atlântico.

O terminal da Bunge, similar aos que outras empresas começam a operar no novo corredor logístico em menos de dois anos, recebe a soja das barcaças por meio de um sistema de correias, armazena em grandes silos e depois carrega os navios --como o Taurus Ocean-- que seguem para seus compradores no exterior, seja na Europa, no Oriente Médio ou na China.

MAIOR RENTABILIDADE

A grande diferença da nova rota que usa a BR-163 e os rios é a economia, o que explica o uso do trajeto em maior escala mesmo sem a completa pavimentação da rodovia.

Se um caminhão que carrega soja de Mato Grosso para o porto de Santos percorre mais de 2 mil quilômetros pelo asfalto, as cargas rumo ao norte fazem metade do trajeto por hidrovias, elevando a competitividade do produto exportado e proporcionando um ganho de margem da cadeia produtora até os exportadores.

O Movimento Pró-Logística, que reúne entidades de agricultores de Mato Grosso, calcula que o frete entre a lavoura e o navio vai cair 34 por cento quando o novo corredor logístico estiver operando à plena carga, em dois ou três anos.

"O produtor gasta mais ou menos 27 por cento de sua renda com frete. Com a saída pelo norte, vamos conseguir melhorar a rentabilidade", disse o coordenador do movimento, Edeon Vaz Ferreira.

A economia de frete, incluindo o de transporte de fertilizantes, pode gerar um corte de custos de 3 reais por saca de soja para os produtores do norte de Mato Grosso, que estão recebendo atualmente cerca de 53 reais/saca pelo produto.

Tomando-se como exemplo um agricultor de médio porte que plante mil hectares de soja naquela região, a nova logística pode representar 150 mil reais a mais de ganhos em cada safra. "Isso permite a ele ampliar o negócio", disse Vaz Ferreira.

OBRAS QUE SE PAGAM

Aproveitar o que o Brasil tem de melhor em termos de logística, seus rios, é um sonho antigo das empresas do agronegócio.

A primeira a se aventurar no eixo do Tapajós foi a norte-americana Cargill [CARG.UL], que em 2003 instalou um terminal para navios em Santarém (PA), exatamente na ponta final da BR-163, atenta à promessa do governo federal de concluir rapidamente o asfaltamento da rodovia.

A ideia era receber os grãos de caminhão e já embarcá-los em navios transatlânticos, que alcançam o porto subindo o gigantesco Amazonas por centenas de quilômetros.

A obra do terminal foi concluída, enquanto a pavimentação da rodovia se perdeu em burocracias e autorizações ambientais.

A solução da Cargill foi receber, desde então, a soja por barcaças originadas em Porto Velho (RO), numa rota que só é viável para escoar a produção do noroeste de Mato Grosso, excluindo o norte, que concentra a maior parte da produção do Estado.

"(A construção do terminal) foi otimista porque apostou-se num cronograma de 163 que não se confirmou, mas acertou-se naquilo que era o complementar (as barcaças)", disse à Reuters o diretor de portos da Cargill, Clythio Buggenhout, oficial da reserva com 25 anos de serviço na Marinha do Brasil e um entusiasta da logística fluvial pelo Norte do país.

Nos últimos anos, a Cargill revisou os planos e decidiu também apostar na integração entre rio e asfalto, assim como a Bunge. Está duplicando a capacidade do terminal de Santarém para 5 milhões de toneladas de grãos por ano e iniciando ainda em meados deste ano a construção de um terminal para despachar barcaças em Miritituba. Investirá 160 milhões de dólares nas obras.

O terreno da Cargill em Miritituba foi comprado em 2011 e hoje não há mais terrenos disponíveis à margem do rio com viabilidade técnica para a instalação de terminais --cinco empresas de agronegócio e outras três de cargas gerais já garantiram as melhores áreas.

Outras cinco companhias, que chegaram depois, pretendem se instalar num distrito mais remoto, chamado Santarenzinho, segundo apuração da Reuters.

A Cargill e a Hidrovias do Brasil devem começar obras em Miritituba este ano, que ficarão prontas para operar na safra 2015/16, juntando-se ao projeto de 700 milhões de reais da Bunge, que escoa soja pela região desde o primeiro trimestre de 2014.

Um estudo da consultoria Macrologística estima que os investimentos privados em oito terminais de transbordo na região de Itaituba, mais oito terminais marítimos em Barcarena e outras cidades, além das barcaças necessárias para operar no trecho, vão demandar 6,8 bilhões de reais.

Apesar de serem projetos genuinamente privados, todos os terminais contam com a obra pública de asfaltamento da BR-163 para se tornarem completamente viáveis.

O trajeto entre Mato Grosso e Itaituba/Miritituba ainda tem 180 quilômetros sem asfalto. Cerca de 120 devem ficar prontos até o fim de 2014 e os 60 restantes, em 2015.

O custo para finalizar a rodovia e os investimentos necessários na preparação e sinalização dos rios, além da dragagens e adequações do porto em Barcarena, foram estimados em 3,8 bilhões de reais, segundo a Macrologística.

Esse investimento público geraria redução de custo no transporte capaz de injetar 2,2 bilhões de reais por ano na economia da região. O projeto se paga, portanto, em menos de dois anos.

"As eficiências que este projeto cria serão boas para todos", disse o presidente global da Bunge, Soren Schroder, a poucos metros da margem da baia de Marajó, horas antes da inauguração do novo terminal da empresa em Barcarena, no fim de abril.

Outra vantagem da saída de navios pela região da foz do rio Amazonas é a distância menor até os compradores internacionais, na comparação com Santos, principal saída dos produtos brasileiros. Por exemplo, o trajeto até Roterdã, na Holanda, cai de 10 mil para 7,7 mil quilômetros.

"Com essa diminuição de custo, o Brasil fica imbatível", disse o diretor da Macrologística, Renato Pavan.

PRODUÇÃO CRESCENTE DE GRÃOS

Ter mais opções de escoamento é essencial para um país que em uma década elevou sua produção de soja e milho em quase 63 por cento, para 161 milhões de toneladas, e mais do que duplicou suas exportações, para quase 83 milhões de toneladas na última temporada, embora tenha mantido praticamente inalterada sua capacidade instalada nos portos.

Entre os grandes motores do avanço recente na produção de grãos estiveram a melhoria da produtividade, a expansão de área em regiões como Mato Grosso e o incremento da chamada "safrinha" de milho, plantada logo depois da soja e que movimenta o setor no segundo semestre do ano.

Mato Grosso, que é um dos que mais sofre com o frete caro entre lavoura e porto, deve ser o principal usuário dos novos corredores pelo norte. O Estado exportou 28 milhões de toneladas de soja e milho em 2013 e, nos cálculos da consultoria Agroconsult, deve enviar para o exterior 51,8 milhões de toneladas dentro de dez anos, com o aumento da demanda internacional, principalmente pela China.

"Preponderantemente, o volume adicional de produção que vem nos próximos anos vai ser destinado às novas saídas logísticas pelo norte", disse o diretor da Agroconsult, André Pessôa.

As opções rumo ao norte incluirão os terminais de Barcarena, também conhecidos por Vila do Conde (nome do porto público da cidade), e de Santarém, além de Santana (AP), Itacoatiara (AM) e São Luís (MA) --esses dois últimos já operando.

Segundo a Agroconsult, os terminais do norte responderão por quase 40 por cento do escoamento de grãos de Mato Grosso em uma década, contra 15 por cento no ano passado. Os terminais de Barcarena passarão de zero em 2013 para 5,8 milhões de toneladas de grãos embarcadas em 2023, liderando o ranking entre os portos do norte.

DESENVOLVIMENTO

Com tanta riqueza passando, o grande desafio dos lugares que recebem os novos empreendimentos logísticos é capturar parte desse desenvolvimento e gerar crescimento ordenado, duradouro e sustentável.

Itaituba, um município com um século e meio de história onde urubus e cachorros magros ainda reviram o lixo no centro da cidade, é um grande exemplo do longo caminho que ainda precisa ser percorrido.

Nas últimas décadas do século passado, a cidade inchou com o dinheiro dos garimpos no rio Tapajós. Foi uma riqueza que trouxe moradores sem interesse em fixar raízes, não gerou investimentos e, por seu caráter muitas vezes ilegal, proporcionou pouca arrecadação para os cofres públicos.

Agora, há os empreendimentos logísticos batendo às portas da cidade. Com eles, virão também fluxo de caminhões, postos de combustíveis, oficinas, restaurantes e toda a sorte de pequenos negócios.

"Nós temos dificuldade de atender à população que está chegando", disse Eliene Nunes (PSD), primeira mulher eleita prefeita de Itaituba, que recebeu a Reuters num final de tarde de domingo agitado na cidade, após ter participado de três compromissos oficiais.

Segundo a Fundação Bunge, que vai investir 10 milhões de reais em educação, saúde e proteção a crianças nas localidades que recebem os empreendimentos logísticos da empresa no Pará, apenas 9 por cento dos moradores de Itaituba têm empregos formais.

A população do município, que hoje está em 130 mil pessoas, pode chegar a 200 mil em oito a dez anos, segundo a prefeitura. Na conta, está um enorme volume de trabalhadores e novos moradores esperados com a construção de uma série de hidrelétricas planejadas para a região, três delas no Tapajós -- Itaituba é a principal cidade na região dos empreendimentos.

"Queremos evitar o que foi errado em Altamira. Não foram estimuladas outras formas da economia além da construção da barragem", disse a prefeita, referindo-se à cidade paraense que recebe as obras da usina Belo Monte, que agravaram problemas como criminalidade, trânsito e infraestrutura local.

Cada terminal de transbordo que se instalar em Itaituba, com capacidade média de receber 3 milhões de toneladas de grãos, vai gerar o trânsito de 75 mil carretas na cidade a cada ano.

Quem já percebeu o movimento de caminhões aumentar foi o agricultor João Costa Sobrinho, de 65 anos, 28 deles morando à beira da BR-163, sempre sonhando com o desenvolvimento da região. "Tem tudo para melhorar. O que precisamos urgentemente é melhorar o ensino", disse.

O desafio social se conjuga com ambiental. Se o asfaltamento da rodovia viabiliza empreendimentos de logística, também atrai uma maior ocupação das terras e, invariavelmente, algum grau de desmatamento.

A facilidade de escoamento, seja de grãos, de gado ou de madeira, tende a pressionar a floresta, dizem especialistas.

A ocupação de parte do bioma amazônico por fazendas já é uma realidade na ponta norte da BR-163. Prova disso é o preço das terras para grãos na região dos municípios de Santarém e Belterra, que saltou 713 por cento nos últimos cinco anos, contra 107 por cento de valorização na média nacional, segundo dados da consultoria Informa Economics FNP.

Visando evitar a ocupação desordenada, ambientalistas defendem a maior presença do poder público na região. Nos mais de 1.200 quilômetros entre o norte de Mato Grosso e Santarém, passado por Itaituba, não há nenhum posto da Polícia Rodoviária Federal, por exemplo.

"Sem a governança, a estrada asfaltada na Amazônia vira um caminho de ilícitos", disse o coordenador de Infraestrutura Inteligente da ONG The Nature Conservancy, Gustavo Pinheiro, defendendo que o trecho paraense da BR-163 seja concedido à iniciativa privada antes que o asfaltamento seja concluído.

Ele defende que os contratos prevejam a instalação de balanças, postos de controle e bases policiais, com o objetivo de inibir o comércio ilegal de madeira e o tráfico de drogas.

Quem sabe, assim, o novo trajeto em prol da competitividade do agronegócio do Brasil possa ajudar a região a trilhar um percurso social menos tortuoso e difícil que a construção da nascente nova rota da soja.

Fonte: Reuters

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17 de mai. de 2014

O que a Revista Veja não disse sobre a BR-163

A Revista Veja está realizando uma expedição pelo chamado Brasil que dá certo, ou seja, regiões em franco crescimento, onde a pujança econômica impera. Nesta semana, a expedição esteve em Sorriso, considerada a capital do agronegócio, devido à força da produção de grãos, especialmente soja. A revista publicou em seu site uma reportagem, afirmando que a BR-163 empobrece o Brasil.

A reportagem menciona a necessidade de pavimentação da rodovia e a expectativa dos produtores quanto à sua conclusão. Entretanto, a Revista Veja não revelou que esta rodovia está quase toda pavimentada, faltando pouco mais de 100 km para a sua conclusão até o porto de Miritituba, no Pará. É uma rodovia em obras, e cerca de 200 carretas transportando grãos passam pela estrada todos os dias, indo até o porto da Bunge, em Miritituba, e o porto da Cargill, em Santarém.

Faltou ainda dizer que grande parte da rodovia já está concedida à iniciativa privada, o que irá elevar os investimentos e permitir a duplicação. E que, no trecho restante da nova rota de grãos, entre Sinop e Miritituba, será licitado este ano. Ou seja, a BR-163 não só não empobrece o País, como será, em breve, a principal via de escoamento da produção da grãos nacionais e, com a redução dos custos logísticos, responsável pelo aumento das divisas.

Embora lentamente, o governo vem fazendo a sua parte e concluindo este importante canal de escoamento. E, melhor ainda, o governo petista de Dilma parece ter se dado conta da inépcia e incapacidade do Estado em administrar e operar o funcionamento desta via, fazendo o que é o certo: a concessão da rodovia à iniciativa privada.

Os contrários à privatização podem até gritar pega ladrão e repetir a velha ladainha que o modelo serve apenas para encher os bolsos de alguns potentados do capitalismo nacional. Mas a verdade é que, mantida sob a tutela do Estado, a rodovia não teria condições de se transformar na mais nova e promissora rota para a exportação de grãos do País, além de indutora de desenvolvimento para toda uma região. Logo estaria totalmente destruída e sem manutenção, como ocorre em seus trechos já pavimentados.

A Veja não viu nada disso, pois nestes períodos eleitorais, costuma ver o mundo através do véu das suas escolhas políticas. Nada contra a maior revista  do Brasil ter o seu lado nas disputas eleitorais. Desde que isso não se traduza em omissão da verdade. Ai não dá!

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Nova rota de exportação de grãos coloca transporte hidroviário como motor do desenvolvimento

A criação de uma nova rota de exportação de grãos no Norte do Brasil, iniciada com a inauguração do complexo portuário Miritituba - Barcarena, da multinacional Bunge, no dia 25 de abril, representa um marco na história do desenvolvimento brasileiro. A nova operação logística pelo norte irá privilegiar o modal hidroviário por meio da hidrovia Tapajós-Amazonas, em detrimento ao rodoviário, gerando reduções não apenas na distância percorrida até os portos do mercado europeu, mas também em mais de 20% na emissão de CO2 devido à forma como a carga é transportada.

“Estamos investindo em um modelo de transporte mais sustentável porque acreditamos que esse é o caminho para o desenvolvimento do país. A navegação pelo rio eliminará a circulação de mais de três mil viagens de caminhões por mês nas estradas que antes levavam os grãos do Centro-oeste aos portos do Sul e Sudeste”, afirma Júnior Justino, diretor de Logística e Agronegócio da Bunge Brasil.

Pela nova rota, os grãos das maiores regiões produtoras seguirão por caminhão pela BR-163 até a Estação de Transbordo em Miritituba, no Oeste do Pará, percorrendo uma distância de 1.100 quilômetros. No terminal, a carga será colocada em barcaças que irão navegar o rio Tapajós, passarão pelo estreito de Breves e chegarão ao Terminal Fronteira Norte, em Vila do Conde, Barcarena, um percurso de 1.000 km realizado em aproximadamente três dias. No Terfron, a carga será armazenada para posterior embarque em navios graneleiros, rumo ao exterior.

A Bunge também está investindo em um modelo de transporte menos poluente e mais eficiente utilizando a hidrovia Tapajós-Amazonas, por meio da Unitapajós, uma joint venture com o Grupo Amaggi. “Estamos diversificando a matriz logística do país, ainda muito dependente de caminhões e trens. Além disso, com o aumento da demanda mundial por alimentos, a Bunge se coloca numa posição privilegiada ao ganhar uma nova rota de escoamento de grãos, ainda mais sustentável”, afirma Murilo Braz Sant´Anna, vice-presidente de Agronegócio da Bunge Brasil. Um único comboio de 20 barcaças transporta 40 mil toneladas de grãos, o que equivale a mais de 1.000 caminhões ou a 4,5 trens de carga por viagem.

“Este é um empreendimento importantíssimo para o Brasil. Com a nova rota, vamos contribuir para o desenvolvimento da região, ao mesmo tempo em que desafogaremos o sistema logístico do Sudeste, que há muito tempo trabalha acima do limite”, comemora Júnior Justino, diretor de logística e Agronegócio da Bunge Brasil.



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15 de abr. de 2014

Odebrecht faz contagem de tráfego para lance no trecho Sinop-Itaituba

A Odebrecht Transport S/A está fazendo contagem de tráfego na BR-163, entre Sinop e o distrito de Miritituba, em Itaituba (PA), provavelmente para se municiar de dados e elaborar proposta para vencer o edital de concessão dos 976 quilômetros do trecho, que o governo federal vai repassar à iniciativa privada em 2014.

De acordo com uma fonte de Agro Olhar na região de Novo Progresso, no Sul do Pará, funcionários da empresa estão há vários dias contabilizando os veículos que trafegam nos dois sentidos da rodovia. “Eles ficam com as pranchetas, em barracas montadas à beira da estrada, anotando quantas carretas passam durante dia e noite”, disse a fonte.

O empresário que relatou o fato à reportagem possui uma empresa na região e disse que os funcionários da Odebrecht fizeram a contagem em vários trechos da rodovia federal, dando a entender que a empreiteira quer saber quantos veículos passarão em cada praça de pedágio. Conforme o edital, haverá um pedágio a cada 100 quilômetros.

De acordo com o Ministério dos Transportes, o prazo de concessão será de 30 anos e a empresa que vencer o certame terá que investir cerca de R$ 6 bilhões no período. A estimativa do governo federal é que no início da duplicação sejam escoados pela nova rota cerca de 4 milhões de toneladas de grãos por ano, podendo chegar a 10 mi/t no fim da duplicação (em 5 anos) e até 26 mi/t no fim da concessão.

A Odebrecht Transport foi a vencedora da concessão do trecho de 850 km da BR-163 ente a divisa de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, até o município de Sinop. O certame foi realizado no ano passado e a empresa ofertou pedágio de R$ 0,02638 por quilômetro rodado – o que dá média de R$ 2,63 a cada 100 km.

Caso chegue a vencer também o trecho entre Sinop e Itaituba, a empresa ficará responsável por duplicar e administrar cerca de 1.8 mil km da rodovia federal que serve de principal rota de escoamento da produção agrícola de Mato Grosso.

Estima-se que, entre Sinop e Rondonópolis, trafeguem mais de 10 mil carretas por dia no pico da safra. Fontes do setor agrícola também afirmam que, assim que a rodovia estiver totalmente duplicada e os portos de Miritituba em pleno funcionamento, esse fluxo poderá se inverter quase em sua totalidade, já que a soja e o milho produzidos no médio-norte mato-grossense serão exportados pelos portos do Norte, já que o frete será cerca de 30% mais barato.
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30 de mar. de 2014

Fluxo para o norte será total em 2016

O senador licenciado Blairo Maggi acredita que o cenário da safra de soja seguir para os portos do sul do país, Santos e Paranaguá, deve começar a mudar já em 2016. “Nós teremos a BR-163 funcionando em sua plenitude, e não apenas ela. Teremos também os terminais em Miritituba, Santarém, Belém e Macapá que estão sendo erguidos por várias empresas. Todos eles estarão prontos para a safra 2016”.

Para Maggi, esse novo cenário diminuirá a pressão nas rodovias do sul do estado e sobre a ALL – que transporta a soja pela sua ferrovia até o porto de Santos, a partir de Rondonópolis e Alto Taquari. “A estimativa é que em 2016, nesta fase inicial, já estaremos escoando mais de 10 milhões de toneladas pelos projetos do Norte”, disse Maggi ao alertar que a cada ano a safra aumenta no estado, com novas áreas e ganho de produtividade. “Teremos uma folga em 2016, mas os programas de ampliação terão que continuar, senão em pouco tempo estaremos em um novo gargalo”, lembra.

A saída da soja pelo norte, segundo Maggi, forçará a ALL reformar suas vias, ser mais eficiente e baixar o preço do frete, que hoje, segundo Blairo Maggi é praticamente o mesmo preço do caminhão. “Quem vai forçar ela a fazer isso vai ser a saída para o norte. A diminuição de mercadoria em Rondonópolis vai fazer com que os preços do frete por ali tendam a cair e, consequentemente, melhorar a remuneração dos produtores em todo o estado”, vaticina Maggi, ao lembrar que mundialmente o preço aceito para o transporte ferroviário competitivo é de US$ 30 por tonelada a cada mil quilômetros e que a ALL está praticando mais que o dobro desse preço.

Hoje faltam apenas 170 quilômetros para asfaltar a BR-163 até Miritituba (PA), onde várias empresas estão construindo terminais portuários. Na atual safra, a Amaggi, Bunge e Cargill já estão tirando soja por este corredor. “Nós estamos enfrentando estes 170 quilômetros de estrada de chão. Está demorando sete dias para levar uma carga e cinco dias para voltar. Mas estamos fazendo porque não temos dúvidas de que esta rodovia vai ficar pronta”, disse Maggi.

Segundo Blairo Maggi, hoje a saída pelo norte é apenas um ato simbólico, pois o mesmo preço que gastam para sair com a soja de caminhão do médio norte de Mato Grosso rumo ao sul, mais o frete do trem é a mesma quantia que estão pagando para ir para o norte. “Neste momento não tem ganho nenhum. Mas a gente sabe que tem de experimentar, tem de criar o corredor, testar os equipamentos. É um enfrentamento que tem que ser feito”, disse. Para Maggi, quando ficar pronto os 170 quilômetros de asfalto que falta, o custo do transporte deve cair em US$ 20 por tonelada, no mínimo.

Fonte: Diário de Cuiabá
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24 de mar. de 2014

Licitação para novos portos em Santarém só depois do aval do TCU

O ministro-chefe da Secretaria de Portos da Presidência da República, Antonio Henrique Pinheiro Silveira, informou que a licitação de áreas nos portos de Santos e do Pará, que integram o Bloco 1 do Programa de Investimentos em Logística – Portos, depende de decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre os estudos de arrendamento.

“Esses estudos estão pendentes de avaliação de um recurso feito para que se possa chegar a uma solução completa e os editais possam ser lançados. Acreditamos que isso pode ser feito ainda em março”, disse o ministro, que participou no dia 14 de reunião com exportadores, promovida pela Associação de Comércio Exterior do Brasil.

De acordo com o ministro, das 19 condicionantes impostas pelo TCU, em dezembro, para liberar a licitação do Bloco 1, 15 foram atendidas. No dia 30 de dezembro, a secretaria pediu o reexame das quatro condicionantes restantes, que está em andamento no tribunal. “Aguardamos  a manifestação sobre essas quatro [condicionantes], para dar sequência ao processo como um todo. Não é nada extremamente complexo. São alguns pontos que entendemos que precisam ser revistos na decisão”, disse. Entre os pontos, estão questões envolvendo áreas específicas e tarifa-teto para os arrendamentos.

 “Tivemos uma profícua discussão com a área técnica do tribunal e hoje temos clareza que é necessário ter tarifa-teto em arrendamentos de um certo perfil. Em outros, é melhor substituir por medidas regulatórias que possam ter, inclusive, um alcance mais amplo”.

Somente após a decisão do plenário do TCU, será possível publicar os editais para arrendamento de áreas nos portos de Santos, Belém, Santarém, Vila do Conde e terminais de Outeiro e Miramar.

Silveira adiantou que o Bloco 2, por recomendação do tribunal, terá de passar por uma nova consulta pública, que será aberta no dia 25 deste mês. Depois da consulta, os documentos serão enviados ao tribunal e o bloco poderá ser licitado ainda no primeiro semestre, que engloba os portos de Aratu e Salvador, administrados pela Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), além de São Sebastião e Paranaguá.

O ministro disse ainda que está sendo feito um  “esforço de gestão” para garantir que não haja problemas de escoamento da safra deste ano, para que  “possa fluir da forma mais harmônica possível, principalmente no Porto de Santos”.


No Porto de Santos, está em execução, segundo Silveira, ação coordenada entre os ministérios da Agricultura e dos Transportes, a Secretaria de Portos, o governo do estado de São Paulo, prefeituras da Baixada Santista, a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e agências reguladoras,  que serve “para coordenar a chegada de caminhões no porto transportando granéis vegetais”.
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Gigantes do agronegócio se unem para investir nas novas ferrovias

LU AIKO OTTA / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Quatro gigantes do agronegócio - Bunge, Cargill, Maggi e Dreyfus - mais a estruturadora de negócios Estação da Luz Participações (EDLP) pretendem se associar para criar uma empresa de logística que participará dos leilões de concessão de ferrovias. Juntas, elas respondem por 70% das exportações de grãos do País.

Essas empresas estão dispostas a construir e operar novas linhas em Mato Grosso. O alvo principal da sociedade, porém, é atuar como transportadora independente de carga ferroviária. É uma figura que não existe hoje no Brasil, mas será criada com base no novo modelo para ferrovias proposto pelo governo.

O plano foi informado na terça-feira ao ministro dos Transportes, César Borges. Deverá ser detalhado nos próximos dias à presidente Dilma Rousseff, que já estava informada das linhas gerais dos estudos. "As empresas se comprometem a serem líderes no processo", afirmou o senador licenciado Blairo Maggi (PR-MT).

Com o plano da nova empresa, o grupo apresentou a Borges uma proposta de mudança nas linhas que serão oferecidas como concessão federal em Mato Grosso. O projeto, batizado de Pirarara, prevê investimentos de R$ 10 bilhões a R$ 15 bilhões. Pirarara é um peixe que pode atingir 60 quilos e 1,5 metro, encontrado nos Rios Amazonas, Tocantins e Araguaia.

Atualmente, o programa federal prevê a concessão de apenas um ramal no Estado, um trecho da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), de 883 km, saindo de Lucas do Rio Verde e seguindo rumo ao leste até Campinorte (GO), onde se interligará com a Ferrovia Norte-Sul. De lá, a carga seguirá para o mar pelo Porto de Itaqui (MA).

Após estudar 40 mil rotas de escoamento de grãos no País, o grupo concluiu que o ideal seria encurtar a linha em 500 km. Ela começaria mais a leste, em Água Boa, e terminaria em Campinorte. Esse ramal reduzido está sendo chamado de "Fico Leste".

Por outro lado, seriam criadas duas ferrovias. A principal sairia do centro de Mato Grosso, em Sinop, e seguiria por 1.000 km até o porto de Miritituba, no Rio Tapajós, no Pará. Lá, a carga seguiria por mais 1.000 km de hidrovia para ser exportada pelos portos ao norte, como Vila do Conde e Santarém.

Essa linha, batizada de Ferrovia do Grão ou Ferrogrão, seria o canal de saída para metade da produção de soja, milho e farelo de Mato Grosso, que deverá atingir 50 milhões de toneladas em 2020. Hoje, ela é de 30 milhões de toneladas. Por causa da posição estratégica, Itaituba, da qual Miritituba é um distrito, já conta com praticamente todas as grandes empresas do agronegócio.

Um terceiro ramal sairia do oeste de Sapezal (MT) e seguiria para Porto Velho (RO), às margens do Madeira. O trajeto faz parte de antigos estudos da Fico, por isso é chamado de "Fico Oeste". De lá, a carga iria por rio até o Porto de Itacoatiara (AM) ou para os portos do Pará.

Economia. Maggi explicou que o grupo não é contra a Fico tal como está proposta pelo governo. Porém, os estudos indicaram que a melhor solução é diferente da que vem sendo analisada e era praticamente um consenso entre os interessados. Grande empresário do setor e ex-governador de Mato Grosso, ele se confessou surpreso com as conclusões.

"Em relação à situação que temos hoje, o frete ficaria mais barato em R$ 40 por tonelada", disse o presidente da EDLP, Guilherme Quintella. Coube a ele, que é chairman para a América Latina da União Internacional de Ferrovias, elaborar os estudos. Construídos os três ramais, 98% da produção de soja, milho e farelo do Estado sairiam por ferrovia.

O grupo pediu a Borges que abra Processos de Manifestação de Interesse (PMIs) para as três linhas sugeridas. Essa é a forma pela qual o governo vem contratando estudos econômicos e projetos de engenharia, depois que o virtual monopólio da Estruturadora Brasileira de Projetos (EBP) foi questionado pelo Tribunal de Contas da União.

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22 de mar. de 2014

Dilma anuncia obras que viabilizam a hidrovia do Tocantins

A presidente Dilma Rousseff reiterou, nesta quinta-feira, 20, o compromisso do governo com investimentos em hidrovias. Em Marabá (PA), Dilma anunciou edital para limpeza e desobstrução do Pedral do Lourenço, que vai permitir a navegabilidade do rio Tocantins durante todos os meses do ano. A presidente classificou o ato como “histórico para o Brasil e o Pará”.

Dilma disse também que “esse século é o da interiorização do Brasil, do Centro-Oeste e do Norte”, ao defender que a produção concentrada na região seja escoada por meios próprios. ”O governo federal tem perfeita clareza da importância das hidrovias”, disse Dilma, destacando que o custo de transporte de cargas por hidrovias chega a ser 50% mais barato do que por meio de rodovias.

Com a finalidade de desafogar o transporte de passageiros e cargas nas rodovias brasileiras, o governo federal prometeu uma série de intervenções nos rios do país. A retirada, em cerca de 40 quilômetros, do conjunto de pedras e outros obstáculos naturais no rio Tocantins, localizado entre os municípios de Tucuruí e Marabá, era uma dessas intervenções planejadas em conjunto pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Nas condições atuais, no trecho em que está localizado o conjunto de rochas, fica inviável a navegação durante os meses de seca. Com o chamado “derrocamento”, porém, as embarcações poderão passar pelo local com segurança.


Além de inviabilizar a hidrovia, o Pedral do Lourenço também provoca a ociosidade das eclusas de Tucuruí. Outro reflexo da inoperância no local é a redução da demanda de cargas para os portos de Marabá e Vila do Conde (PA).
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Brasil cai 20 posições em ranking de logística

O Brasil caiu 20 posições no ranking mundial de logística do Banco Mundial (Bird), que mede a eficiência dos sistemas de transporte em 160 países. O relatório, divulgado na quinta-feira, leva em conta a percepção dos empresários em relação à eficiência da infraestrutura de transporte. O Brasil passou a ocupar o 65º lugar no ranking. Trata-se da pior colocação desde que o ranking foi lançado, em 2007.

Paulo Fleury, diretor-geral do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), define o resultado como "desastroso" para o País:

– A hora da verdade chegou: o Brasil investiu bilhões em obras de infraestrutura de transporte que, por problemas de gestão, não foram terminadas, e está aí o resultado.

Na avaliação de Fleury, o fato de o estudo não medir os avanços ou retrocessos físicos, mas a percepção dos empresários, é sintomático. Pouca coisa mudou na infraestrutura do País nos últimos anos, mas a posição do Brasil no ranking foi se alterando. Em 2007, quando a pesquisa foi lançada, o Brasil ocupava o 61º lugar. Em 2010, ficou na sua melhor colocação: 41º posto. Em 2012, caiu para a 45ª posição. De lá para cá, despencou para a sua pior colocação.

Fleury atribui as oscilações às mudanças nos cronogramas das obras:

– Quando a primeira pesquisa foi realizada, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) havia acabado de ser lançado e a expectativa de melhora empurrou o indicador para cima por um tempo. Como as obras não saem do papel, mas a demanda por transporte aumenta, estrangulando o sistema, a frustração só fez aumentar e nem as concessões no ano passado conseguiram melhorar os ânimos – diz Fleury.

Levantamento do Ilos mostra que o atraso médio nas obras do PAC é de 48 meses. Há também enorme descompasso entre o custo orçado e o custo que se viu na prática. O aumento médio foi de 85%.

Muitas deficiências

O Banco Mundial também divulgou a classificação dos países em seis itens específicos na área de logística e transporte, usados em conjunto para determinar a classificação geral. O segmento que o Brasil está mais bem colocado é na "qualidade e competência logística" (50ª posição) e o pior no "serviço de aduanas e alfândegas" (94ª). Na categoria "rastreamento e monitoração" está na 62ª e, nas "entregas internacionais", na 81ª.

Outros países da América Latina estão em posições bem melhores que a do Brasil, como Chile (42º lugar, o melhor classificado da região), México (50º) e Argentina (60º).

Desigualdades

As três primeiras posições do ranking são ocupadas por países desenvolvidos – Alemanha, Holanda e Bélgica. Entre os últimos estão Somália, Afeganistão e República Democrática do Congo. O Banco Mundial reconhece que reformas no setor são complexas e a melhora do transporte exige pesados investimentos, o que dificulta o avanço em países em desenvolvimento. Por essa razão, os países de alta renda são maioria entre os que ocupam as dez primeiras posições do ranking, destacou a instituição no material enviado à imprensa.

A principal conclusão do estudo é de que a diferença na logística entre países com melhor sistema de transporte e aqueles com pior rede ainda é muito grande, apesar da ligeira melhora desde o início da pesquisa em 2007.


O Banco Mundial avalia vários fatores para montar o ranking geral – qualidade da infraestrutura de transporte, de serviços e a eficiência do processo de liberação nas alfândegas, rastreamento de cargas, cumprimento dos prazos das entregas e facilidade de encontrar fretes com preços competitivos. A instituição ouviu cerca de mil profissionais de logística pelo mundo. Com base nas entrevistas e na metodologia, o Banco Mundial desenvolveu o Índice de Desempenho Logístico (LPI, na sigla em inglês), que é usado para organizar o ranking.

Fonte: Zero Hora

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17 de mar. de 2014

Bancos projetam R$ 368 bilhões de investimentos em infraestrutura no Brasil até 2016

Do Valor Econômico

Os bancos aguardam a retomada do programa de concessões de infraestrutura enquanto azeitam a área de financiamento de projetos. Apesar de a Copa do Mundo e as eleições truncarem as atividades econômicas neste ano, o país não pode interromper o processo de modernização da infraestrutura, cuja defasagem tem sido pernicioso entrave ao crescimento econômico e causa de ineficiência e perda de competitividade.

A previsão do BNDES é que de agora a 2016 serão investidos R$ 368 bilhões em infraestrutura, dos quais 70%, ou praticamente R$ 260 bilhões, serão financiados. Muitas licitações de 2013 ocorreram no fim do ano e somente agora é que os novos concessionários assinarão os contratos e pedirão os primeiros financiamentos para cumprir suas metas. Calcula-se que essas operações vão exigir R$ 5 bilhões em investimentos por ano nos cinco anos iniciais.

Das nove rodovias federais que o governo prometeu licitar, quatro ficaram para este ano. Entrou no radar a renovação da concessão da ponte Rio-Niterói. Os tradicionais leilões de energia A-5 e A-3 devem ser realizados no segundo semestre. Espera-se que saia do papel a chamada ferrovia da soja e o cronograma das licitações dos portos.

Não é à toa que os projetos de infraestrutura têm se constituído em atraente fonte de resultados para os bancos. Segundo o responsável pela área de project finance do banco de investimento do Bradesco, o Bradesco BBI, Rui Gomes da Silva Junior, os projetos de infraestrutura "são um negócio estratégico para o banco porque desencadeiam intenso cross selling".

No caso de um banco focado em operações de atacado, como a Caixa Geral do Comércio, os negócios de estruturação e financiamento de projetos chegam a representar 30% dos resultados, informou a presidente da instituição, Deborah Vieitas.

Participar de um projeto de infraestrutura pode significar para o banco alavancar operações de mercado de capitais, como estruturador de emissões de títulos como debêntures e notas promissórias e de bônus no exterior; viabilizar empréstimos-ponte; repassar recursos do BNDES ou de agências internacionais; prestar garantia na forma de fiança ou carta de crédito; e até arrumar parceiros estratégicos para as empresa envolvidas.

Com tanta atividade, o Brasil foi o sexto maior mercado global das operações de financiamento de projetos em 2013, de acordo com a "Dealogic Project Finance Review". Foram realizadas no país 12 operações de project finance, movimentando US$ 23,6 bilhões, 21% a mais do que e 2012. O Brasil ficou com uma fatia de 12% dos negócios globais da área em número de operações e de 5,6% em valor. No mundo todo, foram 1.085 negócios no valor de US$ 417,9 bilhões.

O ranking de operações de financiamento de projetos na América Latina e Caribe da Dealogic foi liderado em 2013 pelo Bradesco BBI, com 64 operações no valor de US$ 3,8 bilhões. Silva Junior informou que o Bradesco tem em carteira cerca de 70 projetos de investimento, totalizando R$ 155 bilhões em investimentos.

Já o Santander, terceiro no ranking, tem 63 mandatos em execução para desembolso ou estudo, que somam investimentos acima de R$ 300 bilhões, disse o superintendente executivo de project finance, Mauro Albuquerque.

A principal fonte de recursos para a infraestrutura é o BNDES, que tem financiado cerca de 70% dos investimentos. Lastreado em fundos subsidiados do Tesouro, o crédito do BNDES é imbatível. Nenhuma alternativa consegue competir, afirma Alberto Zoffmann, diretor de project finance do Itaú BBA, segundo no ranking da Dealogic de 2013, com 49 operações no valor de US$ 3,3 bilhões, e 11,5% do mercado. O Itaú BBA tem em carteira cerca de 50 operações.

O crédito oferecido pelo BNDES para aeroportos e rodovias licitados no ano passado custou menos do que a taxa interbancária, paga pelos bancos para tomar recursos de outra instituição financeira, que está ao redor de 11% ao ano.

Premido pelas crescentes restrições fiscais, o BNDES quer dividir o risco das operações e vem instando os bancos a ampliar a atuação como repassador de seus recursos. Para os bancos, esse é um bom negócio, mas sabem que as regras deverão mudar no futuro, dado o volume elevado de investimento em infraestrutura necessário ao país.

"Não dá para por tudo nas costas do BNDES. Será necessário desenvolver o mercado de capitais. O sistema financeiro também pode ajudar porque é saudável. O mercado de capitais precisa ser líquido e profundo. A roda já está inventada", disse Ignácio Dominguez-Adame, vice-presidente de global banking e markets do Santander.

Tatiana Mendes Catta Preta, responsável pela área de project finance para o Brasil do Bank of Tokyo Mitsubishi UFJ, quinto lugar no ranking para a America Latina e Caribe, com dez operações no valor de US$ 1,4 bilhão, também aposta no papel do mercado de capitais e nos recursos internacionais. "O programa de infraestrutura é ambicioso e será necessário fechar o gap. Há apetite para financiar projetos no Brasil", afirmou de Nova York, onde está baseada.
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11 de mar. de 2014

Impasse entre TCU e governo dificulta instalação de novos portos no Pará

A instalação de novos terminais portuários nas áreas de portos organizados no Pará está sendo dificultada pelo impasse criado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que em dezembro, estabeleceu 19 condições para que o governo publique o edital para licitação dos portos de Santos, em São Paulo, Belém, Santarém e Vila do Conde, no Pará, além dos terminais de Outeiro e Miramar, também no Pará. Os ministros consideraram insuficientes os estudos apresentados pelo governo e pediram mais informações técnicas sobre os projetos.

Entre as condições estabelecidas pelo TCU está a conclusão de estudos já encomendados pelo governo a universidades, por determinação do tribunal, sobre a competição dentro e fora dos portos. O TCU também quer que o governo estabeleça teto de tarifas para todos os portos, mesmo para aqueles que serão licitados pela modalidade de maior movimentação de carga.

Também foi determinada a realização de inventário dos bens existentes nos portos e uma melhor definição dos projetos de engenharia de cada terminal.

Estes são primeiros estudos de arrendamento de portos sob o novo marco regulatório que foi aprovado no primeiro semestre pelo Congresso Nacional. O governo pretende licitar 29 áreas, nove em Santos e 20 no Pará. O critério para escolha dos vencedores do leilão será o de menor tarifa, no caso de terminais de contêineres. Para terminais de cadeias integradas, como as de agronegócios e de  movimentação de graneis, será usado o critério de metas de capacidade de movimentação.

A relatora do processo, ministra Ana Arraes, acatou todas as sugestões da área técnica e acrescentou quatro condições. Ela criticou o governo, dizendo que os estudos não foram encaminhados ao TCU com a completude necessária, nem acompanhados de relatórios e das notas técnicas necessárias. Segundo ela, a maior parte das informações foi obtida por meio de questionamentos dos técnicos do TCU, que encaminharam mais de 150 perguntas à Secretaria Especial de Portos e à Antaq.

O governo entregou os estudos ao TCU em outubro do ano passado, com a expectativa de publicar o edital naquele mesmo ano. Agora, a publicação do edital vai depender do cumprimento das condicionantes pelo governo. “As determinações do tribunal são aperfeiçoamentos nos estudos e inconsistências que foram encontradas e precisam ser corrigidas para que eles possam prosseguir e dar mais segurança à licitação, que será a primeira na área de portos, e o porto mais importante do país. Então, o tribunal tem todo cuidado para que os estudos sejam adequados e consistentes”, disse o secretário de Fiscalização de Desestatização e Regulação de Transportes do TCU, Davi Ferreira Barreto.

A estimativa é que a receita total dos empreendimentos licitados nesses portos somem cerca de R$ 39 bilhões, com investimentos próximos a R$ 5,5 bilhões e pagamentos mensais às autoridades portuárias próximos a R$ 17 milhões.

O governo informou que vai pedir revisão de algumas das 19 condições que o Tribunal de Contas da União (TCU) impôs para liberar a publicação do edital dos portos de Santos e do Pará. “Lamento que na questão dos portos a gente tenha tido essa decisão que vai atrasar, com certeza, a colocação dos arrendamentos. Mas já estamos preparando todas as respostas e vamos pedir a revisão de alguns itens colocados pela ministra Ana [Arrais, relatora do processo no TCU]”, disse em janeiro a então ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

Atraso - O chamado porto organizado é uma área definida pelo governo onde, para construir um terminal portuário, a empresa precisa participar de um processo de licitação, para arrendamento. Muitas empresas, como a que estão instalando terminais de grãos no Pará, fogem destas áreas, pois além da burocracia há os custos com o pagamento de taxas para o governo. Por isso a maior parte das empresas buscam construir os seus terminais fora destas áreas, configurando o chamado Terminal de Uso Privativo (TUP).

No caso de Santarém, por exemplo, o porto organizado engloba toda a extensão da frente da cidade, iniciando acima do porto da CDP, no Rio Tapajós, indo até a entrada do Maicá, já no Rio Amazonas. Muitas empresas já manifestaram interesse em instalar novos terminais em Santarém, mas a burocracia e o atraso nas concorrências para estas áreas têm afastado os investidores, que ainda buscam áreas fora do porto organizado para instalarem seus empreendimentos.







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25 de fev. de 2014

Tapajós inverte fluxo de exportação de grãos

 Por Bettina Barros | Valor Econômico

A principal estrada que liga Mato Grosso ao Pará está um lamaçal de ponta a ponta da pista e, em alguns trechos, os buracos parecem ser capazes de engolir o pneu de um caminhão. Chove quase continuamente, como é comum nesta época do ano, quando o "inverno" chega à Amazônia. Inverno por aqui não é frio. É chuva. E se estende até julho, o que, para o azar dos produtores rurais, coincide com o período de escoamento da safra de soja do Centro-Oeste, a mais importante do país.

Por esse e outros motivos, a maior parte dos grãos plantados na região não pode ser transportada pela BR-163, que liga Cuiabá a Santarém, e atravessa o país até os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR) para embarque ao exterior, num percurso mais longo, caro e congestionado. Mas algo diferente acontece neste "inverno". Um número grande de caminhões de Mato Grosso começou a subir a rodovia federal em direção ao Pará - a despeito do risco de derrapagens e atoleiros e do dobro do tempo de viagem que a quilometragem rodada exigiria. Eles carregam soja da americana Bunge.

Em uma decisão inédita, a gigante do agronegócio optou por inverter a partir desta safra a lógica clássica de fluxo para o Sudeste como principal canal de exportação. A justificativa para isso, afirma Pedro Parente, CEO da Bunge no Brasil, é outro marco para a companhia: a inauguração de uma estação fluvial de transbordo de cargas e um terminal portuário na Amazônia, baseados em um ambicioso projeto de escoamento denominado "Terfron" - Terminais Portuários Fronteira Norte.

Com investimento próprio total de R$ 700 milhões - o maior em seis anos no portfólio de agronegócio e logística no Brasil -, a Bunge dará mais fôlego ao que o mercado chama de "matriz amazônica" de transporte. Na prática, isso significa a criação de um dos mais importantes corredores logísticos intermodais do país, formado pela BR-163 e pela hidrovia Tapajós-Amazonas. A alternativa é defendida há muitos anos pelos ruralistas, que veem na rota ganhos de frete, tempo e eficiência de transporte ante as opções atuais.

A múlti americana será a primeira, mas está longe de ser a única na corrida para o Norte. Nos próximos anos, o setor privado ligado ao agronegócio deverá investir cerca de R$ 2,3 bilhões somente em instalações de terminais, comboios de barcaças e empurradores para o transporte no rio Tapajós. Em comum, todos estão de olho no potencial de escoamento fluvial anual de 40 milhões de toneladas de grãos do Centro-Oeste até 2020, com redução de até 34% no custo do frete, segundo o Movimento Pró-Logística de Mato Grosso, formado por dez entidades, entre elas Aprosoja e Acrimat - que representam produtores de grãos e pecuaristas, respectivamente.

"A saída pelo Norte poderá representar 20% em participação de mercado da nossa comercialização de grãos no país", afirmou Parente. "Nossa expectativa é escoar 2,5 milhões de toneladas de grãos nesta safra e atingir o potencial anual de 4 milhões de toneladas em 2014/15". Segundo a empresa, esse volume deverá superar 30% quando a BR-163 estiver totalmente pavimentada e o terminal atingir a sua capacidade de projeto.

O mosaico logístico que se desenha com o novo modal prevê a instalação de quase uma dezena de terminais fluviais em Miritituba - distrito do município paraense de Itaituba estrategicamente localizado à beira de um trecho do Tapajós com calado suficiente para a navegação de barcaças e, melhor ainda, sem pedras no caminho. Sete empresas já adquiriram lotes de terra para a instalação de seus terminais (ver infográfico).

De todas, só a Bunge obteve licença de instalação e levantou o seu terminal. Os terrenos ao lado, todos vendidos, estão intactos, em fase de estudo de impacto ambiental ou à espera do sinal verde do governo para a construção. Mas, apesar de tudo pronto, a Bunge também não pode iniciar o escoamento porque não recebeu a licença de operação da Secretaria de Meio Ambiente do Pará, que deverá ser emitida até meados de março. Enquanto isso, a companhia realiza testes pré-operacionais de carregamento e descarregamento, com a soja que já está sendo transportada pela BR-163. As últimas barcaças chegaram há duas semanas.

Ao longo de uma semana, o Valor percorreu grande parte da rota que vai perfazer a matriz amazônica. No mapa, todo grão plantado acima do paralelo 13 - a linha de corte é Lucas do Rio Verde (MT) - seria, em tese, economicamente viável para o escoamento pelo Norte devido à distância menor em relação ao Sudeste. Nesse raciocínio, os caminhões vão pela BR-163, cruzam a fronteira com o Pará e continuam até Campo Verde - o "Km 30". De lá, seguem à esquerda para Miritituba, onde é realizado o transbordo da carga para as barcaças que descerão o Tapajós até os portos de Santarém e Vila do Conde, em Barcarena (ou, em menor escala, de Santana, no Amapá). Dos portos, são transferidos a navios Panamax para Europa e Ásia.

Em Miritituba, a efervescência dos negócios é quase palpável. Além da Bunge, Cargill, Hidrovias do Brasil (empresa da P2 Brasil, joint venture da Pátria Investimentos e Promon), Cianport (joint venture de Fiagril e Agrosoja), Unirios, Chibatão Navegações e Reicon estão posicionadas em áreas de algumas dezenas de hectares. Mas há muita gente sondando parcerias de serviços ou áreas ainda disponíveis, conforme o Valor testemunhou - da americana ADM à francesa Louis Dreyfus Commodities (LCD), passando pela Multigrain, controlada pela japonesa Mitsui.

Disputa por terrenos para a construção de terminais entre grandes empresas do setor é cada vez mais acirrada

O esgotamento iminente de terrenos, no entanto, já está puxando os investidores rio abaixo. A 15 quilômetros de Miritituba está Santarenzinho, distrito de Rurópolis, outro potencial para a atracação de barcaças. Transportes Bertolini, Amaggi e Cevital, grupo argelino de agronegócio, adquiriram recentemente terrenos aqui. A Odebrecht Transport finaliza negociações na região, no formato de uma joint venture com a Brick Logística, empresa de projetos portuários de Belém.

As expectativas são altas. No trecho mais estreito, o corredor navegável do Tapajós tem dois quilômetros de distância. No mais largo, dez. Diferentemente de estradas, portanto, não há riscos de congestionamentos. Caudaloso, o Tapajós é também um rio "encaixado" (com as margens mais altas) e considerado de fácil navegação. "Trata-se de uma inversão de sentido: em vez de parceria público-privada, é privada-pública. O escoamento pelo Norte só está acontecendo por causa da iniciativa privada", diz Renato Pavan, diretor da Macrologística, consultoria que trabalha com o planejamento estratégico da Amazônia Legal.

Segundo Clythio Van Buggenhout, diretor nacional de portos da Cargill, o que se vê agora é resultado de um posicionamento das empresas iniciado no começo da década passada. "A aposta do setor foi em cima da perspectiva que havia em investimentos em infraestrutura pública. Todo mundo sabia que, de alguma maneira, seria preciso ter portos no Norte e que eles teriam valor", disse ao Valor.

O pioneiro no transporte fluvial de grandes volumes na Amazônia, lembra o executivo, foi a Amaggi, que mirou Porto Velho e decidiu pelo escoamento pelo rio Madeira. Depois vieram a Cargill, com o arrendamento em 1997 de um terminal público no porto de Santarém, e a Bunge, que comprou o terreno em Barcarena. Ambas aguardavam o asfaltamento completo da BR-163, que não ocorreu.

O atraso fez a Bunge congelar os planos para o Pará - seu projeto Terfron, além de Miritituba, inclui o terminal em Barcarena e a Unitapajós, joint venture com a Amaggi para o transporte fluvial das cargas. A Cargill optou por escoar a safra do oeste de Mato Grosso pelo terminal da Amaggi no rio Madeira - 2,5 milhões de toneladas de grãos chegam a Santarém hoje.

Agora, a abertura da navegação pelo Tapajós reacendeu os planos da saída pelo Norte. Além de Miritituba, o setor está de olho nas licitações para novos terminais portuários de grãos que o governo federal pretende fazer no Pará para dar vazão ao volume descarregado pelas barcaças - um em Santarém (onde só a Cargill opera hoje), outro em Vila do Conde (onde a Bunge já tem terminal e a ADM e a Hidrovias do Brasil contam com terrenos) e três em Outeiro. Cada terminal elevaria em 5 milhões de toneladas a capacidade de escoamento de grãos pelo Estado.

A expectativa da Companhia Docas do Pará (CDP) é que as licitações, cujos editais estão em análise no Tribunal de Contas da União, ocorram este semestre. Socorro Pirâmides, diretora de gestão da CDP, diz que também poderá haver uma licitação para um terminal de fertilizantes em Santarém.

Van Buggenhout, da Cargill, diz que pretende participar da licitação em Vila do Conde e dobrar a capacidade operacional em Santarém até o fim de 2015, para 5,5 milhões de toneladas/ano. A empresa aportou US$ 90 milhões na ampliação do terminal e US$ 70 milhões estão previstos para Miritituba.

Assim como a Bunge, a Cargill começou a subir soja pela BR-163 este ano, após experiências "bem-sucedidas" com o milho em 2012 e 2013, em períodos secos. "Em função da sobrecarga logística e fatores climáticos internacionais, começou a ficar viável subir a BR-163", diz Van Buggenhout. "Bem ou mal há um fluxo regular subindo a estrada. Para o caminhoneiro, é melhor que ficar 60 horas na fila de transbordo ferroviário".

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http://www.valor.com.br/agro/3442344/tapajos-inverte-fluxo-de-exportacao-de-graos#ixzz2uLYe0ANo
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17 de fev. de 2014

Pará ganha em março nova rota de escoamento da produção agrícola

O mais promissor canal de escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste pelo Norte do Brasil – o Complexo Portuário Miritituba, em Itaituba – será inaugurado mês que vem. Representantes da Bunge, empresa responsável pela construção do empreendimento, se reuniram nesta quarta-feira (12), com o governador Simão Jatene, para entregar o convite da inauguração.“Trata-se na verdade de dois grandes empreendimentos: uma estação de transbordo em Miritituba e um terminal portuário no porto de Vila do Conde”, explicou o vice-presidente da Bunge, Martus Tavares.

Presente no Estado há mais de dez anos, a Bunge – uma das principais empresas de agronegócio e alimentos do Brasil – investiu cerca de US$ 170 milhões no empreendimento, que deve gerar cerca de 350 empregos diretos e indiretos, numa região em constante crescimento. O complexo portuário tem capacidade de escoamento de quatro milhões de toneladas de grãos por ano. “Pretendemos melhorar a logística da exportação de grãos, desafogando os portos e as estradas”, enfatizou Martus Tavares.

O titular da Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Mineração (Seicom), Davi Leal, que participou da reunião, afirmou que o investimento feito pela Bunge é muito positivo para o Estado, tanto na cadeia da soja, quanto na melhoria do sistema hidroviário. “Cada comboio de barcaças que vai trafegar pelo novo terminal pode transportar até 30 mil toneladas de grãos, substituindo mais de 800 caminhões que circulam nas estradas brasileiras”, estimou.

Simão Jatene demonstrou o apoio do Governo do Pará na implantação do empreendimento e solicitou uma visita ao complexo portuário antes da inauguração oficial, para que ele possa conhecer de perto como o sistema vai funcionar. O governador também solicitou aos representantes da Bunge que façam uma apresentação detalhada do projeto para o titular da Seicom. A apresentação deverá ocorrer na próxima semana.
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Ministro afirma que BR-163 estará duplicada em 5 anos

O ministro dos Transportes, César Borges afirmou que a rodovia BR-163, que corta o Estado de Mato Grosso, será duplicada em cinco anos.  Borges disse que o objetivo é escoar a produção sem onerar o produtor rural. A duplicação da estrada, segundo ele, é uma determinação da presidente Dilma Roussef (PT). “A presidente determinou que não houvesse falta de recursos e esforços”, afirmou o ministro, durante discurso, na solenidade de lançamento oficial da colheita da safra de grãos 2013/2014.

O ministro também garantiu que a BR-163 será asfaltada até o Porto de Miritituba (PA), no máximo, no final do próximo ano. Borges lembrou que o Ministério dos Transportes, por meio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), já duplica 260 quilômetros da rodovia, saindo de Rondonópolis (Sul de MT), passando por Cuiabá e chegando ao Posto Gil, no entroncamento com a BR-364.  “É para que o Estado de Mato Grosso possa escoar a produção e ampliar a fronteira agrícola, exportando seus produtos de forma mais barata, deixando mais recurso no bolso do produtor”, declarou o ministro.

Borges também lembrou que, recentemente, foi realizada a concessão da rodovia para a organização ODP (Odebrecht Transporte), que vai assegurar tarifa baixa.  “Não vai pesar no bolso do produtor rural. Nós conseguimos desconto no deságio da tarifa de 52%. Vai custar apenas R$ 2,60. Esse pedágio só poderá ser cobrado após ter o mínimo de 10% estrada duplicada, aquilo que é de responsabilidade da concessionária”, afirmou o ministro.

Ele disse, ainda, que o Governo fazer a duplicação da BR-364 do trecho que vai de Rondonópolis a Jataí (GO).  “Então, com a obra, a soja sairá em estrada duplicada até o Porto de Santos”, disse Borges, que foi aplaudido por uma plateia formada por agricultores.

Potencial

Recentemente, em Brasília, o ministro dos Transportes afirmou que o Brasil tem um potencial muito grande na agricultura e também condições de oferecer a logística necessária para o escoamento mais rápido e barato para produção.

“Em função de problemas existentes no escoamento da safra do ano de 2013, o Governo Federal determinou ao Ministério da Agricultura, junto com o Ministério dos Transportes e a Secretaria Especial de Portos, para que juntos, nós olhássemos as soluções para que o escoamento da safra se desse o mais rapidamente possível, sem maiores transtornos para populações, principalmente junto aos portos brasileiros”, disse.

Entre as medidas tomadas, a ação conjunta identificou outros portos, no Norte e Nordeste, onde pudessem ser embarcados os grãos, como o de Miritituba, Santarém, de Vila do Conde e de Itacoatiara, por exemplo.

Além de reforçar o uso dos modais hidroviário e ferroviário. Outra medida é o agendamento prévio do que vai ser escoado. Com isso, os caminhões serão monitorados desde a lavoura até o desembarque no Porto de Santos.

César Borges também lembrou que o Governo Federal trabalha com um macroplanejamento para que o país tenha eixos nacionais estruturantes de rodovias duplicadas, que passem pelos centros produtores de grãos e que tenham capacidade de absorver um tráfego muito maior.

O ministro ainda afirmou que o Brasil está trabalhando para ampliar o uso das hidrovias e para melhorar o uso no modal ferroviário.

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11 de fev. de 2014

Empresa planeja construir ferrovia de Sinop a Miritituba

A Estação da Luz Participações (EDLP) protocolou nesta semana no governo federal um pedido para desenvolver estudos de viabilidade de uma ferrovia entre Lucas do Rio Verde (MT) e Miritituba (PA), usando o trecho de domínio da rodovia BR-163. A estimativa de investimento no empreendimento é de R$ 6 bilhões.

A intenção é aproveitar a demanda logística oriunda da produção de grãos, com destaque para a soja, no Centro-Oeste, por um caminho de exportação em direção ao Norte do país. O projeto segue caminho inverso ao existente hoje, para o Sul, em direção aos portos de Santos (SP) e de Paranaguá (PR).

A capacidade da Ferrogrão - nome atribuído à ferrovia -, que tem extensão estimada em 1,2 mil quilômetros desde São Lucas do Rio Verde seria da ordem de 60 milhões de toneladas de grãos ao ano. De Miritituba, as cargas seriam levadas em barcaças para terminais aptos a receberem navios em Santarém, Itacoatiara e Barcarena (PA) e Santana (AP).

O traçado da linha teria início justamente ontem termina a "Ferrovia da Soja", ou Fico, que ligaria a Norte-Sul a até Lucas do Rio Verde. Esse projeto, já lançado pelo governo, encontra-se na fase de estudos para ir à licitação.

A EDLP solicita que o Ministério dos Transportes faça um chamamento para elaboração de estudos para a concessão, o que, segundo a empresa, proporcionaria a concessão da ferrovia ainda ao longo deste ano.

Segundo a EDLP, do empresário Guilherme Quintella, já há um fundo de investimentos interessado em participar do projeto e outros seriam buscados, inclusive grandes grupos empreiteiros.

O empresário informa que, com a Ferrogrão, a Fico e a ALL (que chega até Rondonópolis-MT), quase 100% da produção de grãos do Mato Grosso (em torno de 50 milhões de toneladas) seria escoada por meio de malha ferroviária até 2020. A redução de custo do frete de transporte seria da ordem de 50% em relação ao modal rodoviário.

Quintella, que também preside na América Latina a União Internacional de Ferrovia (UIC, na sigla em francês), afirma que o projeto é apontado como um dos mais importantes do mundo pela sua localização na região.

Em avaliação preliminar dos envolvidos, no entanto, o projeto "concorre" com a rodovia BR-163, a partir da divisão de Mato Grosso com o Pará. No momento, o governo federal já está colocando em prática a lógica da inversão da cadeia logística da produção do Centro-Oeste por meio de concessões de trechos da principal rodovia da região. Dois lotes da BR-163, que vão do Mato Grosso do Sul e sobem até o Mato Grosso, já passaram por leilão e forram arrematados pelos grupos CCR e Odebrecht, respectivamente.

Neste ano, conforme anúncio há alguns dias, o governo federal pretende conceder também o trecho da BR-163 entre Mato Grosso e Pará. Assim, as commodities agrícolas poderiam ser levadas até terminais de transbordo para as hidrovias do Norte em rodovias duplicadas depois de cinco anos sob gestão privada. Esse é o prazo determinado nos contratos.

A concessão do trecho até o Pará, já anunciada, ainda está em etapa inicial, sem edital lançado.

(Fonte: Valor Econômico)


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22 de jan. de 2014

Odebrecht Transport vai construir porto em Miritituba

Do Valor Econômico

Em meio à acelerada expansão de negócios voltados ao novo terminal de transbordo fluvial de Miritituba - o mais promissor canal de escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste pelo Norte do país -, mais um "player" de peso está prestes a anunciar sua chegada ao Pará. A Odebrecht Transport (OTP), braço de infraestrutura do Grupo Odebrecht, finaliza a formação de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) com a Brick Logística, empresa que desenvolve projetos portuários na região, sediada em Belém. O acordo deverá ser oficializado em 30 dias, conforme antecipou o Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor.

Segundo apurou a reportagem, a OTP investirá entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão em dois anos para a aquisição de terrenos e a construção de quatro armazéns agrícolas ao longo da BR-163, uma estação de transbordo de carga em Miritituba, às margens do rio Tapajós, um terminal no porto de Vila do Conde, em Barcarena, e barcaças. A expectativa é que essa montagem logística já esteja pronta para o escoamento da safra 2015/16 de grãos - ou mais tardar, 2016/17. A capacidade de escoamento da empresa será de três a cinco milhões de toneladas de grãos a cada ano.

A Brick Logística, parte minoritária na sociedade com a OTP, é presidida por Kleber Menezes, empresário que responde também pela Associação dos Terminais Privados do Rio Tapajós (Atap), formada há quase dois anos na esteira do interesse de gigantes do agronegócio em Miritituba. A Brick identifica terrenos na Amazônia e depois os estrutura para a sua transformação em portos.

Questionada pela reportagem, a Odebrecht Transport se limitou a dizer que "tem interesse na região". Procurada, a Brick Logística não retornou às ligações do Valor.

A entrada da OTP no mosaico logístico que começa a se formar em Miritituba está alinhada com a estratégia de avançar no agronegócio, onde a companhia já está posicionada nos setores de recepção e transporte de açúcar e etanol. Segue-se também à série de empreendimentos anunciados ao longo de 2013 para a região, que reunirá projetos fluviais bilionários para escoar mais de 30 milhões de toneladas de grãos ao exterior até 2020, segundo as estimativas do setor.

Com a entrada em operação das estações de transbordo fluvial no Tapajós, os produtores rurais do Centro-Oeste brasileiro inverterão o trajeto clássico de escoamento ao exterior - longo e custoso - até Santos (SP) e Paranaguá (PR). A nova rota permitirá levar a carga de caminhão pela BR-163 de Mato Grosso até Miritituba, no Pará. De lá, o carregamento será transferido para barcaças, que seguirão pelo Tapajós até os portos de Vila Conde, Santarém ou o de Santana, no Amapá, de onde serão novamente transferidos a grandes embarcações com destino aos mercados estrangeiros. Produtores ouvidos pelo Valor informaram que o modal hidroviário poderá reduzir em até 34% o custo do frete da safra do Centro-Oeste.

Das nove estações de transbordo planejadas para Miritituba - um distrito de Itaituba, separado do centro do município pelo rio -, apenas a da Bunge está na fase pré-operacional. As demais empresas estão em fase de apresentação do EIA-Rima, o estudo de impacto ambiental, ou prestes a receber o licenciamento. Além da múlti americana, Cargill, Hidrovias do Brasil, Unirios, Reicon, Chibatão Navegações e Cianport (joint venture da Fiagril e Agrosoja) pleiteiam estações de transbordo.

A disputa pela logística do Tapajós também levou a outra parceria inédita anunciada no fim do ano passado: a Unitapajós, joint venture de navegação fluvial entre a Bunge e a Amaggi, uma das empresas da família do senador e ex-governador mato-grossense Blairo Maggi.

A vitória da Odebrecht Transport na concessão de 850 quilômetros do filão mais nobre da BR-163, conhecida como "rodovia da soja", ajudou a dar fôlego ao projeto de saída para o Norte que as entidades ruralistas há anos defendem. "Agora só falta o governo federal cumprir a promessa e terminar o asfaltamento do restante da rodovia até Santarém", diz um grande produtor de grãos de Mato Grosso, que não quis ter o nome revelado.

Outro benefício é que, além de levar a produção brasileira para os mercados europeu e asiático, o corredor hidroviário do Tapajós também poderá trazer fertilizantes aos produtores do Centro-Oeste por um caminho bem mais curto. O Brasil importa mais de 70% da sua necessidade do insumo. Entre janeiro e novembro do ano passado, por exemplo, isso representou 20,146 milhões de toneladas, ou 11,7% a mais que em 2012.

Essa nova janela já vem movimentando o setor. Fontes ligadas às empresas empreendedoras do Tapajós disseram ao Valor que têm interesse em atuar com fertilizantes também. Já relatos da mídia paraense afirmam que, em dezembro passado, um grupo de investidores da Cevital Internacional Dubay, da Argélia, visitou Itaituba para a prospecção de terreno para a construção de uma planta de processamento de soja e de um terminal para a venda de fertilizantes trazidos da África. A informação foi confirmada pela Prefeitura do município.

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2 de out. de 2013

Asfaltamento da BR-163: devagar quase parando e sem qualidade

A tão sonhada conclusão da Rodovia BR-163 até o porto de Santarém, criando assim uma nova rota para o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste brasileiro, parece ainda muito distante. Se é verdade que a obra avançou muito em 2010 e 2011, também é fato que este ano estão quase paradas, sem previsão de conclusão. E o que é pior: o serviço entregue é de péssima qualidade e o pavimento não terá condições de resistir ao tráfego pesado.

Faltam cerca de 300 quilômetros para a conclusão do trecho até o porto de Mirirituba, em Itaituba – Pará. E mais uns 200 quilômetros entre Mirirituba e Santarém. A previsão do governo era concluir o trecho até Itaituba este ano, mas pelo ritmo das obras, será uma surpresa se concluir no ano que vem. No trecho até Rurópolis, não existe nem previsão. E de Rurópolis a Santarém, sob a responsabilidade do Exército, não há indícios de que a obra seja concluída nos próximos três anos.

O pior é que o problema não parece ser falta de dinheiro. O Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit), possui dinheiro em caixa para tocar as obras. O problema é gestão e falta de fiscalização. As empreiteiras contratadas para executar as obras trabalham do jeito que bem entendem. E de forma muito lenta. O pior: a qualidade deixa a desejar, apontando para um desperdício imenso de recursos e indicando que existem irregularidades.

Atualmente, cerca de 80 a 100 carretas trafegam por dia na rodovia, com destino ao porto da Cargill em Santarém. E este pequeno tráfego tem sido suficiente para expor a má qualidade das obras. Buracos já se formam nos trechos asfaltados há menos de um ano, exigindo reparos. E quanto mais de mil carretas trafegarem diariamente pela rodovia? A impressão que se tem é que o pavimento estará praticamente destruído em poucos anos.

A BR-163 é uma rodovia de extrema importância para o Brasil, mas tratada com absurdo descaso por sucessivos governos. Agora que a sua conclusão virou uma questão inadiável, o descaso continua, com obras de má qualidade e lentidão. Podemos nos preparar para termos uma rodovia estreita, sem acostamento, com muitos buracos e um trânsito infernal de carretas e mais carretas pesadas.

Não dá para entender tamanho descaso, a não ser considerar que o governo pretende, assim que concluir a obra, conceder a rodovia para a iniciativa privada. Pelo menos seria uma solução, já que será bem melhor pagar pedágio e ter eficiência do que continuar aguentando a incompetência estatal.
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