A tão sonhada conclusão da Rodovia BR-163 até o porto de Santarém, criando assim uma nova rota para o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste brasileiro, parece ainda muito distante. Se é verdade que a obra avançou muito em 2010 e 2011, também é fato que este ano estão quase paradas, sem previsão de conclusão. E o que é pior: o serviço entregue é de péssima qualidade e o pavimento não terá condições de resistir ao tráfego pesado.
Faltam cerca de 300 quilômetros para a conclusão do trecho até o porto de Mirirituba, em Itaituba – Pará. E mais uns 200 quilômetros entre Mirirituba e Santarém. A previsão do governo era concluir o trecho até Itaituba este ano, mas pelo ritmo das obras, será uma surpresa se concluir no ano que vem. No trecho até Rurópolis, não existe nem previsão. E de Rurópolis a Santarém, sob a responsabilidade do Exército, não há indícios de que a obra seja concluída nos próximos três anos.
O pior é que o problema não parece ser falta de dinheiro. O Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit), possui dinheiro em caixa para tocar as obras. O problema é gestão e falta de fiscalização. As empreiteiras contratadas para executar as obras trabalham do jeito que bem entendem. E de forma muito lenta. O pior: a qualidade deixa a desejar, apontando para um desperdício imenso de recursos e indicando que existem irregularidades.
Atualmente, cerca de 80 a 100 carretas trafegam por dia na rodovia, com destino ao porto da Cargill em Santarém. E este pequeno tráfego tem sido suficiente para expor a má qualidade das obras. Buracos já se formam nos trechos asfaltados há menos de um ano, exigindo reparos. E quanto mais de mil carretas trafegarem diariamente pela rodovia? A impressão que se tem é que o pavimento estará praticamente destruído em poucos anos.
A BR-163 é uma rodovia de extrema importância para o Brasil, mas tratada com absurdo descaso por sucessivos governos. Agora que a sua conclusão virou uma questão inadiável, o descaso continua, com obras de má qualidade e lentidão. Podemos nos preparar para termos uma rodovia estreita, sem acostamento, com muitos buracos e um trânsito infernal de carretas e mais carretas pesadas.
Não dá para entender tamanho descaso, a não ser considerar que o governo pretende, assim que concluir a obra, conceder a rodovia para a iniciativa privada. Pelo menos seria uma solução, já que será bem melhor pagar pedágio e ter eficiência do que continuar aguentando a incompetência estatal.
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