A criação de novos estados, de acordo com economista do IPEA ouvido pela Globo, cria uma conta que não bate. O total de impostos arrecadados atualmente nas regiões dos futuros estados do Tapajós e Carajás não são suficientes para manter a estrutura administrativa das novas unidades da federação, criando um rombo de quase dois bilhões por ano. A conta pode estar certa, mas o economista se esqueceu de incluir uma série de fatores que podem alterar o produto, se me permitem a licença matemática.
A conta do IPEA considerou uma realidade atual de arrecadação para uma realidade futura de custeio da máquina pública. Assim não vale. Melhor seria se o instituto realizasse um estudo sério considerando a evolução da economia destas regiões a partir da própria criação do novo estado e também de investimentos que vêm recebendo já na atualidade. Sem levar em conta este crescimento, qualquer conta já nasce furada em relação a arrecadação x despesas.
A criação de um novo estado gera, por si só, um processo de desenvolvimento econômico nas regiões emancipadas. Os estados do Mato Grosso e do Tocantins, por exemplo, tiveram aumento do Produto Interno Bruto considerável. Todos os novos estados criados apresentaram crescimento da economia e conseqüente aumento da arrecadação em suas respectivas regiões.
Além disso, estas regiões vêm recebendo atualmente grandes investimentos públicos e privados. A região do Carajás está crescendo em ritmo chinês e vem recebendo empreendimentos bilionários ligados à área mineral. Já o Tapajós, além de investimentos na área mineral, recebe também a construção de Belo Monte, que sozinha já seria um importante fator econômico a se considerar, com forte impacto sobre a arrecadação. Ainda têm investimentos como a pavimentação da BR-230 e da BR-163, construção de novos portos em Santarém e Itaituba.
Qualquer estudo sério sobre a viabilidade econômica destes prováveis novos estados tem que considerar estes cenários para a região. Sem isso, trata-se apenas de má fé ou ma ciência.
PS - E mesmo que haja a necessidade de aporte financeiro nos primeiros anos para a manutenção dos novos Estados, temos que considerar que estas são regiões historicamente carentes de investimentos e da presença do Estado brasileiro. Não haveria aumento de gastos do poder central, mas uma realocação de recursos que seriam certamente investidos em outras regiões com maior representatividade política. É exatamente isso que se pretende: mais atenção e investimentos por parte da União.
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