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3 de dez. de 2011

O Globo Repórter e o passarinho contra as hidrelétricas: atentado contra o desenvolvimento

A TV Globo deu mais uma grande contribuição à desinformação e ao atraso da sociedade brasileira nesta sexta-feira, 2, ao exibir no programa Globo Repórter, uma espécie de documentário regiões da Amazônia onde o governo pretende construir usinas hidrelétricas, principalmente a região do Rio Tapajós. O programa parece ter sido editado por aqueles mesmo atores que gravaram um vídeo contra Belo Monte, dado o mau gosto, o apelo ao sensacionalismo ambiental e a tendência de transformar mentiras em verdades.

O programa é uma aberração jornalística, que contribui para criar a falsa ilusão de que a construção das usinas vai acabar com a biodiversidade na Amazônia. Ao assistir o programa, a impressão que se tem é que o governo brasileiro é realmente um monstro, que vai construir um monte de hidrelétricas só para matar os passarinhos, os sapinhos, os peixinhos, os macaquinhos e prejudicar os ribeirinhos, que segundo a Globo, estão vivendo muito felizes sem eletricidade, lá, longe de tudo e de todos. A Globo sabe quantos ribeirinhos morrem de malária ou de verme por ano, por falta de atendimento médico?

O Globo Repórter fala em uma “Grande Inundação”, fazendo mais uma das comparações baratas, afirmando que a área alagada pelas usinas do Tapajós seria equivalente a três vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Eu tive uma idéia: que tal a gente tirar a população toda de São Paulo, destruir os prédios e reflorestar a Mata Atlântica que foi dizimada? Eu acho que ali, onde fica a sede da Globo, daria para abrigar uma família inteira de Mico Leão Dourado. Será que eles atinam para os absurdos que pregam? 

Diz ainda o programa global que as usinas têm um custo ecológico incalculável. A mentira é grotesca. Somando-se os alagamentos de todas as usinas previstas para a Amazônia, a área alagada não deve passar muito de 1% de toda a Floresta Amazônica. A de Belo Monte corresponderá a 0,019%. Meu Deus! Porque não informar a população de verdade, ao invés de contribuir para a desinformação? Só vejo nisso má fé.

O programa mostra, em clima de poético e de comoção, que o menor passarinho do Brasil, chamado “Caçula”, estaria ameaçado pelas usinas hidrelétricas. Bom, passarinho não sabe nadar, mas sabe voar. A grande contradição é que o mesmo programa apresenta como solução o aproveitamento da energia eólica (a vento). Vocês sabiam que aonde instalam usinas eólicas os passarinhos são praticamente todos dizimados. Os coitadinhos morrem ao se chocarem contra as hélices. Sabe quanto vão criar uma ONG para defender os passarinhos que morrem por causa das usinas eólicas? Quando elas forem, de verdade, uma alternativa viável. Por enquanto, não são.

O repórter, com aquele ar de que teve uma revelação divina, pergunta: “Que engenheiro seria capaz de construir algo assim?”, referindo-se ao ninho do pequeno passarinho. Fiquei comovido, mas me perguntei que passarinho seria capaz de construir uma hidrelétrica para gerar energia para milhões de pessoas.

O repórter também fala em “Mãe Natureza”, que nos daria presentes. Fico aqui a imaginar porque essa mãe natureza, tão boa a generosa, dá presentes como furacões, alagamentos, tsunamis, etc. Ainda bem que temos engenheiros, que graças à engenhosidade humana, conseguem criar mecanismos de redução destes “presentes” da natureza, ou mesmo prevê-los, para impedir que muitas vidas humanas sejam perdidas.

A Globo quer tentar vender a idéia de que o progresso tem um custo ecológico impagável, e o melhor seria ficar do jeito que estamos, para não acabar com a natureza. Acontece que isso é apenas uma mentira, um mantra difundido por organizações ambientalistas comprometidas até o pescoço com grandes corporações e países ricos, que financiam suas campanhas milionárias contra projetos como Belo Monte.

O Brasil mostrou ao mundo que é perfeitamente possível conciliar desenvolvimento com preservação. Afinal, temos uma das maiores áreas de floresta do mundo e uma das maiores produções agropecuárias do planeta. Temos a legislação ambiental mais rígida, punitiva e restritiva do planeta, mesmo assim batemos recordes e mais recordes de produção. Mesmo assim, estamos em destaque entre os países emergentes e deveremos ser, em breve, a quinta economia do planeta.

Mas porque a Globo exibe um programa como este, tão prejudicial ao Brasil e ao povo brasileiro? Não sou afeito a teorias conspiratórias, mas quanto mais desenvolvimento, menos poder têm gigantes da comunicação de massa, como a Rede Globo. Quanto mais as pessoas têm acesso à educação, saúde, e energia, mais têm condições de fazer uma analise crítica das informações que recebe. A Globo já chegou a ter audiência de 80% em suas novelas. Hoje, dificilmente passa dos 40%. E continua caindo. Perdeu muita influência para a internet e outros meios de comunicação de massa.

Além disso, Roberto Marinho, o filho, foi durante muito tempo presidente da seção brasileira do WWF, uma espécie de mãe das organizações ambientalistas de todo o mundo. Portanto, tem estreita relação com o aparato ambientalista internacional, o mesmo que trava há mais de 40 anos uma intensa luta contra a construção de hidrelétricas ou qualquer outra obra de infraestrutura no Brasil, especialmente na Amazônia. A Globo sempre mostrou a Amazônia como um santuário que deve ser mantido intocável, ao mesmo tempo em que tentou criminalizar os setores produtivos da região.

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