O Ministério Público Federal de Altamira abriu investigação para apurar as responsabilidades. A estimativa inicial é que mais de cinco milhões de metros cúbicos de madeira retirada dos desmatamentos feitos para a construção da usina tenham simplesmente desaparecido. A forma como a madeira, proveniente do desmatamento, foi retirada para a construção da usina recebeu críticas sistemáticas do órgão fiscalizador. O Ibama declarou, em um relatório de vistoria técnica de agosto de 2013, que o canteiro de obras é um “sumidouro de madeira”.
O Ibama afirma no parecer que mais de 80% das toras de boa qualidade não foram destinadas a qualquer fim útil. Apesar disso, o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) vem comprando madeira do mercado local para as obras civis, tendo declarado, apenas até o final de 2012, a compra de quase 20 mil m³ de toras, o equivalente a várias centenas de caminhões de madeira cheios. Desde o parecer técnico de dezembro de 2012, os analistas responsáveis vêm constatando problemas quanto à forma de estocagem e monitoramento das toras geradas e apodrecimento de madeira nos pátios.
Crime planejado
O crime ambiental que ocorre em Belo Monte foi planejado pela Norte Energia, dona da usina, e pelo CCBM, responsável pela construção. Antes do início das obras, entidades ligada ao setor florestal da região realizaram diversas reuniões com a Norte Energia para solicitar uma destinação adequada desta madeira. A Associação das Indústrias Madereiras de Altamira e Região (AIMAT), chegou a produzir um documento técnico apresentando soluções para a destinação da madeira, que poderia servir para reativar as indústrias madeireiras da região, paralisadas por falta de matéria-prima legalizada.
A Norte Energia prometeu analisar a questão, mas nunca deu importância. Quando as obras começaram, a orientação para as empresas que realizaram a supressão da vegetação foi a de enterrar o máximo de madeira possível. Trabalhadores que atuavam nesta empresas, ouvidos pela reportagem, confirmaram que a orientação era enterrar a madeira.
Pelos levantamentos feitos pela própria Norte Energia antes da obra, pelo menos 100 quilômetros quadrados de florestas teriam que ser desmatados para a construção da usina. São 62,5 mil hectares. Considerando que cada hectare pode ter no mínimo 35 metros cúbicos de madeira com viabilidade comercial, calcula-se que o montante de madeira comercial em Belo Monte ultrapasse os 2 milhões de metros cúbicos.
Além do prejuízo ambiental, há também o econômico. A madeira em tora é vendida atualmente no mercado por R$ 100,00 o metro cúbico, em média. Ou seja, são mais de R$ 200 milhões enterrados pela Norte Energia e CCBM.
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