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15 de jan. de 2014

Os dois Jatenes

O governador Simão Jatene (PSDB) concluiu o seu primeiro mandato, em 2006, com mais de 80% de aprovação popular. Fez um bom mandato, mesmo sucedendo um governo forte como Almir Gabriel. Quase oito anos depois, Jatene vai chegando ao fim do seu segundo mandato de forma melancólica: amarga um alto índice de rejeição, sua aprovação mal passa dos 20% e até agora nem seus aliados sabem se será ou não candidato a reeleição. É um governador fraco que lidera um mandato até aqui medíocre. E isso depois do governo fraco e impopular de Ana Júlia (PT).

O que aconteceu?  Onde foi parar o Jatene das grandes obras, dos hospitais regionais, do Hangar, etc? Essa é uma pergunta que tem martelado a cabeça até mesmo de aliados, que sofrem dentro de um governo sem rumo, que está afundando o Pará cada vez mais na pobreza e na miséria. Existem muitas respostas, mas pouco conclusivas. Seria a saúde do governador?, cada vez mais alvo de boatos os mais diversos? Seria a falta de recursos? Ou seria falta de competência?

Na pré-campanha em 2010, quando assessorava um amigo então pré-candidato ao governo do Estado, estive na residência do ex-governador Almir Gabriel, já falecido. Na ocasião ele ainda estava rompido com Jatene e vociferava contra o ex-aliado. Gabriel disse que Jatene não tinha condições de governar o Pará e que no primeiro mandato, só fez as obras e projetos já deixados alinhavados por ele, Almir. Ou seja, Jatene teria ido bem apenas por dar continuidade a um governo bom, ou simplesmente deixar o bonde andar.

Estaria Almir Gabriel certo? Ou sua fala foi apenas mais um episódio do ódio que desenvolveu por seu antigo subordinado. Os fatos parecem dar razão ao ex-governador.  Jatene venceu Ana Júlia, mas seu governo caminha para ser pior do que o da antecessora, algo inimaginável até mesmo para o saudoso Almir. Desde que assumiu o governo, Jatene parece se esforçar todos os dias para provar que o seu antigo chefe estava certo e que ele, Jatene, não tem perfil para comandar, mas sim ser comandado.

A mal sucedida experiência petista no Estado e as fraquezas do governo Jatene criaram um vácuo político no Pará. Jáder Barbalho viu o espaço necessário para voltar ao cenário, mas desta vez, não pessoalmente. Seu filho, Helder, foi apresentado como a pessoa com capacidade para ocupar este espaço, o que vem fazendo com maestria, diga-se, orientado pelo pai, que já cuidou de selar um acordo com o PT com o objetivo de tirar Jatene do poder.

Não será tão fácil, pois o clima plebiscitário que se apresenta dá uma força maior à máquina do que ela realmente tem. Além disso, o Barbalho pai ainda é um fardo muito pesado, especialmente na Região Metropolitana, onde se concentra a maior parte dos eleitores. No interior, é Jatene quem possui uma rejeição nas alturas. Tudo somado, a previsão é que uma disputa nos moldes dos velhos tempos baratistas se avizinha.

É bom não sair de casa a partir de junho. Vai começar a voar boi na política paraense novamente.

Um comentário:

  1. Simples não existe outro Jatene é o mesmo que sempre foi, apenas na gestão passada quem continuava mandando no Estado era o Governador Almir Gabriel, esse de hoje sempre foi o Jatene de antes.

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