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27 de nov. de 2012

Cresce plantio de soja em novos desmatamentos na Amazônia


A área de soja plantada em terras de desmatamentos na Amazônia saltou de 11,69 mil hectares na safra de 2010/2011 para 18,41 mil hectares no ciclo 2011/2012 – um aumento de 57%. Os números foram apresentados nesta sexta-feira durante a renovação da Moratória da Soja, iniciativa de empresas exportadoras de derivados da soja e organizações da sociedade civil para boicotar a soja produzida em áreas de novos desmatamentos na Amazônia.

Apesar do avanço, as entidades ligadas ao programa e o governo comemoraram o resultado. A ministra Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que a sociedade não aceita mais desmatamentos, e que é preciso apontar quem faz isso. - A moratória mostra que é possível aumentar a produção de soja no Brasil sem impactar o meio ambiente. Em cinco anos, temos a menor taxa de desmatamento da Amazônia e a maior produção da oleaginosa. O que acontece é que temos que eliminar, na base, aqueles que não querem cumprir a lei - disse a ministra.

De acordo com Izabella, é essencial que o Brasil cumpra seu papel de conservar a biodiversidade, sem deixar de assumir seu papel como produtor de alimentos para o mundo. Ela acredita que um dos caminhos para unir preservação com produção é o Código Florestal, que teve como um dos pilares punir dos desmatadores. Ela acredita que um dos caminhos para aliar produção com preservação, e em algum momento deixar de lado a moratória da soja, pode ser o zoneamento ecológico-econômico da soja, similar ao que foi feita com a cana-de-açúcar.

Para o Greenpeace, apesar de ter ocorrido aumento da produção em área desmatada, e de esse número acender uma “luz amarela”, esse crescimento foi menor do que os 85% registrados no período anterior. A WWF-Brasil destacou que a moratória da soja é “importante instrumento de conservação da Amazônia”, e uma “iniciativa de sucesso, em que setores muitas vezes divergentes mostram que é possível trabalhar de forma conjunta”. A entidade pediu aprimoramento dessa iniciativa com a identificação dos produtores em desacordo com a moratória, e a exigência por parte dos compradores de que todos seus fornecedores estejam cadastrados junto nas secretarias estaduais de agricultura.

Carlo Lovatelli, presidente da Abiove, avalia que o acordo dá credibilidade maior ao Brasil no mercado internacional. - Aumentou a qualidade das vendas, o europeu, o maior juiz desse processo, o mais exigente, entendeu que a gente tem competência e interesse de fazer direito. Nos deram a chance e provamos. Esse é o maior sucesso da moratória – afirmou Lovatelli.

Segundo os dados divulgados pelo MMA, em Mato Grosso, a área de soja cultivada subiu de 5,89 mil hectares para 12,28 hectares. No Pará, no entanto, houve uma retração de 31% na área de soja, que passou de 4,14 mil hectares em 2010/2011 para 2,86 mil hectares em 2011/2012.

A moratória é resultado de uma parceria entre o MMA, o setor privado - Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) - e organizações não governamentais, como a Conservação Internacional, Greenpeace, Ipam, TNC e WWF-Brasil. Assinada pela primeira vez em 2006, a moratória foi renovada novamente hoje até 31 de janeiro de 2014. O pacto impõe desmatamento zero na produção de soja na Amazônia, o que significa que nenhuma das 24 principais empresas comercializadoras do grão – que representam 90% do mercado de soja no país – pode comprar o produto de fornecedores na Amazônia que tenham desmatado após 2006.

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