7 de nov. de 2012
Centenária sem rumo?
Paulo Leandro Leal
Altamira completou 101 anos de existência neste dia 6 de novembro. Maior do mundo em extensão territorial útil, o município inicia um novo século de história em meio à maior expansão econômica da sua história. Mas existem poucos motivos para comemorações. Centenária, a cidade que vivia um estado de paralisia econômica desenvolveu uma dependência doentia à construção de Belo Monte e carece de um rumo para além deste momento de boom.
Enquanto todos se embriagam com as oportunidades financeiras criadas com a construção da maior usina hidrelétrica brasileira, o tempo passa e logo se inicia uma contagem regressiva para o início da desmobilização dos canteiros de obras, o que significa dizer a reversão do processo de contratação em massa, ou seja: teremos demissão em massa. E para onde irá esta massa de trabalhadores?
Certamente a grande maioria dos que aqui chegaram em busca de oportunidades de melhorar de vida partirá em busca de outras barragens ou grandes obras. Muitos sem conseguir realizar seus sonhos. Outros se juntarão aos trabalhadores que já eram de Altamira e o futuro destas pessoas está intimamente relacionado ao futuro da cidade.
Hoje, não vemos iniciativas ou empreendimentos que sejam planejados com o objetivo de criar alternativas econômicas à Belo Monte. Se não houver novas oportunidades de empregos para esta gente, teremos um grande contingente de desempregados e a economia da cidade deve entrar em um novo e prolongado ciclo de declínio. O marasmo vai voltar ainda com mais força, já que muitos empresários estão se endividando para atender Belo Monte e não terão tempo para recuperar o investimento.
Corre-se o risco de Altamira se transformar em uma cidade dependente dos royalties pagos por Belo Monte ao município, com forte pressão por políticas assistencialistas que não geram emancipação, mas só reproduzem pobreza, desigualdade e dependência.
É hora de as lideranças locais começarem a se preocupar com o fim da festa. De buscarem maneiras de a pujança continuar, ou pelo menos não se extinguir. E, principalmente, de fazer com que o crescimento econômico vivido agora se traduza em redução da pobreza e da desigualdade. Não adianta só a boa vontade dos donos de Belo Monte ou do governo federal. É preciso mobilização local.
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