O Pará está entre os estados com piores índices de desenvolvimento do Brasil. Apesar da imensa reserva de recursos naturais, a maioria da população vive na pobreza e na miséria e o governo não possui recursos para administrar uma área tão vasta. Uma solução, a meu ver, seria a re-divisão territorial, rechaçada em plebiscito. Sobram, então, alternativas na área da gestão pública: mais eficiência, menos burocracia, descentralização, meritocracia, entre outras.
Uma questão me chama a atenção no que diz respeito a decisões gerenciais no Pará: como pode um estado tão pobre e sem recursos ser dono de banco? O Banpará é o “banco do povo paraense”, mas o povo mesmo não é beneficiado pela existência desta instituição. Vários estados brasileiros, inclusive o mais rico deles, São Paulo, desfizeram de seus bancos públicos e usaram os recursos para investimentos significativos, em áreas prioritárias. Porque o Pará, tão pobre, se dá ao luxo de continuar a ser dono de banco.
Antes que prossiga, poderíamos nos perguntar por que então o Brasil, também um país pobre (ou emergente), pode ser dono de bancos (Banco do Brasil e Caixa), mas os estados não. Acho que a venda destes dois bancos não faria nenhum mal à nação, mas o governo federal tem um caráter estratégico do ponto de vista da administração da economia, e neste sentido é importante ter dois grandes bancos sob a sua gestão, ajudando a controlar, por exemplo, os juros e preços.
Mas não vejo nenhuma justificativa plausível para os estados continuarem como donos de bancos. No caso do Banpará, menos ainda, por se tratar de uma instituição financeira com resultados pífios, cujo lucro anual nunca passou de R$ 100 milhões. O banco também opera em condições similares ou piores à do mercado quando se trata de juros, por exemplo. No empréstimo a servidores, geralmente os juros são maiores do que oferecem outras instituições.
O Banpará também não possui nenhuma influência significativa no fomento ao desenvolvimento do Estado. No máximo, oferece microcrédito através de programas governamentais, mas sem resultados expressivos conhecidos. Além disso, outras instituições operam com microcrédito com mais eficiência. Portanto, qual mesmo o sentido de manter um banco como este público?
A manutenção dos empregos dos funcionários seria a única justificativa, mas a venda de outros bancos estaduais demonstrou que os novos donos incorporaram as agências e o número de demissões, quando houve, foi muito reduzido. A experiência demonstra ainda que os clientes foram beneficiados, com mais opções de produtos, menores taxas e melhores condições de crédito.
O Pará deveria pensar seriamente em vender o seu banco. E em destinar os recursos para investimentos, especialmente nas regiões que reivindicam o desmembramento territorial e político, para começar a corrigir distorções históricas. Seria uma boa estratégia de gestão, mas isso requer governantes fortes, que não têm medo de enfrentar o corporativismo e a ideologização do debate, que certamente reagiriam.
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