Nas últimas semanas, dois episódios demonstraram de forma inequívoca o poder da internet e das redes sociais. O primeiro, o suposto estupro dentro do programa da TV Globo Big Brother Brasil, que rapidamente se espalhou como um rastilho de pólvora em redes como Twitter e Facebook. O outro, a estudante Luiza, que virou celebridade instantânea com o meme “menos Luiza, que está no Canadá”, depois que seu pai disse a frase em um comercial na TV.
A assombrosa repercussão nos dois casos mostra a revolução cultural que vivemos, provocada pela internet e os seus infinitos mecanismos de interação social. Os dois casos demonstram, ainda, os lados positivos e negativos desta revolução, e que ainda teremos que nos acostumar a viver neste território livre. Se por um lado a internet aproxima as pessoas e dissemina a informação na velocidade da luz, por outro
expõe as pessoas e muitas vezes nos leva a julgamentos precipitados.
O caso do suposto estupro demonstra que a internet deu à sociedade uma ferramenta poderosa, capaz de colocar no “paredão” até mesmo potentados do capital e da informação, como a Rede Globo, que se viu obrigada a dar explicações e a eliminar um participante do programa, mesmo sem provas de que houve mesmo estupro. A repercussão negativa forçou a maior emissora de TV do País a se dobrar diante da pressão pública.
Mas o outro lado da moeda é que esta repercussão instantânea pode levar a grandes erros, destruindo a reputação e a vida de pessoas. No caso em questão, não está evidente se houve mesmo o tal estupro, uma vez que a própria suposta vítima disse que consentiu com o ato praticado debaixo do edredom. Então, se o tal rapaz é inocente, teve a sua reputação e moral completamente destruídos e a não ser que vá morar em Marte, dificilmente conseguirá se livrar do estigma de estuprador, mesmo que prove, na Justiça, sua inocência.
Já o caso da estudante paraibana que estava fazendo intercâmbio no Canadá virou sensação nas redes sociais. Depois que seu pai apareceu em um comercial na TV reunido com toda a família, “menos Luiza, que está no Canadá”, a frase virou mania nacional e a estudante foi parar num telejornal da maior emissora de TV do Brasil. E virou polêmica, após um importante apresentador de um telejornal de uma emissora concorrente dizer que o caso mostra que “já fomos mais inteligentes”.
O fato é que Luiza se transformou em celebridade sem mesmo saber o que estava acontecendo e sem ter nada para oferecer ao público. Mas isso não quer dizer que somos menos inteligentes, pois a televisão ofereceu ao público durante muito tempo, na era pré-internet, celebridades para consumo instantâneo e baboseiras infinitas. A Internet embaralhou o jogo do poder na comunicação e, se não estamos mais inteligentes, pelo menos continuamos bem humorados.
A má notícia é que apenas uma parcela da população tem acesso à internet. Dezenas de milhões de pessoas estão excluídas desta nova era da informação e não estão entendendo nada do que está acontecendo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe seu comentário ou sua mensagem para mim